Durigan diz que Brasil precisa ouvir empresários antes de decidir resposta aos EUA
O governo brasileiro vai ouvir empresários antes de decidir se aplicará medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos.
A avaliação foi reforçada nesta sexta-feira (14) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em meio ao processo aberto pelo governo Lula para responder às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.
A fala de Durigan dá uma dimensão importante ao movimento iniciado na quinta-feira, quando o Brasil notificou formalmente Washington e abriu consultas diplomáticas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica.
O mecanismo permite ao país adotar medidas contra parceiros comerciais que imponham barreiras consideradas incompatíveis com as regras internacionais.
Apesar da abertura do processo, uma retaliação não é automática.
Continua após a publicidade O governo ainda precisa avaliar quais medidas americanas prejudicam o Brasil, quais setores seriam afetados por uma eventual resposta e quais produtos dos EUA poderiam ser alvo de restrições sem provocar efeitos negativos dentro do próprio país.
Por que Durigan quer ouvir as empresas A preocupação é simples: se o Brasil aumentar as tarifas sobre produtos americanos, quem paga a conta inicialmente é o importador brasileiro.
Continua após a publicidade Uma sobretaxa sobre uma máquina, componente eletrônico, produto químico ou equipamento industrial americano pode aumentar o custo de produção de uma empresa brasileira.
Se não houver fornecedor alternativo, o aumento pode chegar ao consumidor.
Por isso, a escolha dos produtos que eventualmente seriam atingidos é tão importante quanto o tamanho da tarifa.
Durigan já havia defendido essa cautela em julho, quando afirmou que o governo precisaria avaliar os setores afetados e conversar com as empresas antes de definir medidas.
Continua após a publicidade O tarifaço de Trump já está afetando o comércio A discussão ocorre em um momento de deterioração do comércio entre os dois países.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 12,2% entre janeiro e julho, para US$ 21 bilhões, segundo levantamento da Amcham Brasil.
No mesmo período, as exportações totais do Brasil cresceram 10,5%.
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