Ufac e sindicatos repudiam fala do filho de Marcio Bittar por chamar alunos de “vagabundos”
A Universidade Federal do Acre (Ufac) divulgou nesta quinta-feira (15) uma nota de repúdio contra o presidente estadual do PL, João Paulo Bittar, por declarações contra a comunidade acadêmica feitas em um vídeo com propósito eleitoral.
O documento é assinado em conjunto com a Associação dos Docentes da Ufac (Adufac), Seção Sindical do Andes-SN, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau do Acre (Sintest-AC) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE).
De acordo com a nota, Bittar disse no vídeo “pessoal aí da Ufac, vocês são tudo um bando de vagabundo”.
As entidades classificam a fala como inaceitável, mentirosa e ofensiva e afirmam que a declaração atinge não apenas os estudantes, mas toda a comunidade que mantém a universidade em funcionamento com trabalho e pesquisa.
O texto descreve o perfil de quem frequenta a instituição.
São trabalhadores, mães e pais de família, estudantes indígenas, ribeirinhos e moradores das periferias de Rio Branco e do interior do estado, muitos dos quais pegam dois ônibus para chegar ao campus ou nem têm acesso a transporte público, além de dependerem do Restaurante Universitário (RU) e da bolsa de permanência.
A nota cita também docentes, técnicos e pesquisadores que, segundo as entidades, garantem a produção científica na Amazônia mesmo com restrições de orçamento.
Para os signatários, o uso do termo “vagabundo” não foi um descuido.
O documento afirma que a fala integra um projeto político que busca deslegitimar a universidade pública para justificar o corte de verbas, o desmonte e a privatização.
As entidades consideram ainda mais grave o conteúdo de um suposto vídeo de retratação divulgado por Bittar.
Conforme a nota, em vez de pedir desculpas, o presidente do PL reafirmou a ofensa ao declarar que seriam vagabundos apenas os estudantes militantes, a quem se referiu como “quem vive no DCE fumando maconha”.
O texto aponta uma dupla agressão, primeiro pela generalização do ataque contra toda a universidade e depois pela tentativa de criminalizar e estigmatizar o movimento estudantil e suas formas de organização, como DCE, centros acadêmicos e atléticas.
Sobre o DCE, a nota destaca que a entidade tem mais de 50 anos de atuação em defesa da universidade pública e gratuita e reúne jovens que estudam, trabalham, pesquisam e fazem extensão.
“Criminalizar a militância estudantil é atacar a democracia universitária e a liberdade de organização”, diz o documento.
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