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Aço chinês pode prolongar crise das siderúrgicas, alerta BTG

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Aço chinês pode prolongar crise das siderúrgicas, alerta BTG

A China deve exportar mais de 100 milhões de toneladas de aço em 2026, prolongando a pressão sobre os preços internacionais e dificultando a recuperação das siderúrgicas em outros países. A avaliação é do BTG Pactual, que vê poucas chances de o governo chinês reduzir significativamente o excesso de produção, mesmo diante da fraqueza da economia local.

Em relatório de 14 de outubro, os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo afirmam que o problema é estrutural. A China tem capacidade para produzir mais de 200 milhões de toneladas de aço além do que seu mercado interno consegue absorver. Com isso, parte da produção acaba sendo direcionada ao exterior, aumentando a concorrência e pressionando a rentabilidade das empresas do setor.

Crise imobiliária chinesa agrava o excesso de aço. A desaceleração prolongada do mercado de imóveis, um dos principais consumidores do produto, reduziu a demanda doméstica. Sem uma diminuição equivalente da capacidade de produção, as siderúrgicas chinesas buscam compradores em outros países, muitas vezes oferecendo preços mais baixos.

Continuamos altamente céticos quanto a reformas relevantes pelo lado da oferta. BTG, em relatório

Exportações voltaram a ganhar força em setembro. Os embarques chineses de aço acabado chegaram a 10,49 milhões de toneladas no mês, maior volume mensal de 2026. A média diária de exportações aumentou 6,8% em relação a agosto, segundo o relatório.

Volume acumulado continua elevado. Entre janeiro e setembro, a China exportou 85,6 milhões de toneladas de aço acabado, queda de 2,6% em relação ao mesmo período de 2025. O BTG destaca que as vendas externas de produtos semiacabados, utilizados como matéria-prima por outras siderúrgicas, também permanecem altas, ampliando a oferta chinesa no mercado internacional.

Preços do aço podem continuar pressionados. O banco espera exportações chinesas elevadas pelo menos até novembro e considera improvável uma recuperação sustentável dos preços globais sem o fechamento de parte das fábricas. A oferta abundante dificulta reajustes e reduz as margens de lucro das siderúrgicas concorrentes.

Estados Unidos são a principal exceção. Enquanto o excesso de aço chinês prejudica o mercado internacional, os produtores americanos se beneficiam de tarifas de 50% sobre as importações, que dificultam a entrada do produto estrangeiro. A oferta doméstica relativamente limitada e os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e centros de dados também ajudam a sustentar a demanda.

BTG aposta em Gerdau e Ternium apesar do cenário adverso. O banco vê nas operações das duas siderúrgicas nos Estados Unidos uma proteção contra o excesso de aço chinês no mercado internacional. Por isso, mantém recomendação de compra para Gerdau (GGBR4), com preço-alvo de R$ 28, e Ternium (TX), com preço-alvo de US$ 75, ambos para os próximos 12 meses. A melhora das condições no México também favorece a avaliação da Ternium.

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