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Conteúdo ultraprocessado e o debate eleitoral

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Conteúdo ultraprocessado e o debate eleitoral

Se Flávio Bolsonaro vencer as eleições para presidente neste domingo, vai consagrar um método de uso de plataformas digitais ancorado na exploração de canais de redes sociais e grupos de mensagens e na criação de peças de comunicação em larga escala e de forma descentralizada.

Na noite de 4 de outubro, depois da apuração do primeiro turno, eleitores petistas se deram conta de que só um milagre poderia reverter a diferença de votos entre os dois candidatos nas três semanas seguintes. Os dados das pesquisas e as probabilidades não davam muita esperança.

Na manhã de 5 de outubro, movimentos políticos no entorno do presidente cataram os cacos e resolveram colocar em ação uma estratégia de mobilização que, no método e nas táticas, é exatamente o que os grupos conservadores vêm fazendo.

Há uma "pequena" desvantagem de treze anos entre os grupos nesse páreo, mas o aumento na popularidade digital de Lula e as pesquisas dos últimos dias mostrando a redução da distância entre eles precisam ser creditados ao trabalho de lideranças emergentes no campo progressista que vêm se empenhando na campanha usando um modelo de operação em mídias digitais que, há mais de uma década, é dominado por figuras ligadas à direita. A distinção entre as abordagens de um lado e do outro até então vem sendo cuidadosamente estudada pelo professor de filosofia política Marcos Nobre sob o conceito de "partido digital" elaborado por ele.

No começo, a criação e a articulação são coordenadas, mas, depois que atinge esse fluxo, a elaboração das peças de comunicação e as mensagens em geral passam a ser fragmentadas e descentralizadas. Quem está engajado na causa se prontifica, cria e joga suas ideias, memes e vídeos nesses espaços, que viram barris de pólvora para explodir além dos canais onde nasceram.

Importante dizer que não estou comparando o teor das mensagens, mas o método. Culpamos algoritmos, mas ignoramos que há um papel de quem aprende a manipular (chamam de "otimização") a dinâmica das redes nesse processo. A coisa é bem mais sofisticada do que descrevi acima e tem nuances que extrapolam a vontade e a ação de quem está à frente de campanhas de comunicação. Mas saber minimamente a lógica de funcionamento talvez nos ajude a ponderar sobre o quanto estamos a serviço dessa manipulação, não só no campo político, mas em qualquer causa que nos prestemos a defender nos diferentes espaços digitais que frequentamos.

Voltando às eleições: se um candidato consegue explorar as plataformas digitais para fazer chegar às pessoas uma comunicação que coloque sua estratégia em paridade com a de seu adversário, isso permite que os eleitores acessem as ideias, propostas e denúncias que ambos apresentam. Mesmo com as bolhas reverberando a mesma tônica e toda a disputa de narrativas (ouvi falar que morre um Tamagotchi cada vez que alguém escreve "narrativas"), táticas iguais deveriam permitir condições iguais.

O problema, no entanto, é que esse volume todo e essa velocidade premiam apenas o tipo de mensagem que não promove uma discussão produtiva.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.

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