A escola não educa sozinha, mas é essencial na vida das crianças
Todos os dias, milhares de professores brasileiros entram em sala de aula para trabalhar com crianças que chegam à escola com fome, sem dormir ou depois de uma noite marcada por diferentes violências.
Mesmo com esse contexto, seguimos perguntando: por que a aprendizagem delas não melhora? Nas últimas décadas, governantes e gestores públicos passaram a esperar da escola quase tudo: reduzir desigualdades, enfrentar os desafios cotidianos em torno das violências, cuidar da saúde mental, proteger crianças e adolescentes, garantir segurança alimentar e, ainda, melhorar os indicadores educacionais.
Entretanto, como é de se esperar, nenhuma instituição sozinha consegue cumprir missão tão ampla.
A escola é essencial na vida de uma criança, sendo um direito constitucional que continua demandando esforços para a sua efetivação plena.
Importante, porém, chamar atenção para o fato de que ela não substitui uma rede de proteção social que possa superar o hiato que vem da falta estrutural de políticas públicas no país para as populações empobrecidas.
Na realidade, a qualidade da educação depende do que acontece fora da sala de aula.
Quando saúde, assistência social, cultura e políticas de cuidado funcionam, a escola cumpre melhor sua função.
Quando falham, o impacto chega diretamente à aprendizagem.
Quem atua na educação pública conhece bem a realidade dos alunos que a frequentam: a menina que falta de forma recorrente às aulas porque cuida do irmão enquanto a mãe trabalha, o adolescente que abandona os estudos para complementar a renda da família, a estudante que sofre e não encontra atendimento psicológico na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
Nada disso nasce na escola.
No entanto, tudo desemboca nela.
Heliópolis, em São Paulo, mostra que outro caminho é possível.
O Bairro Educador, concebido pela União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (Unas) em parceria com a EMEF Presidente Campos Salles e hoje vivido por outras escolas municipais de ensino fundamental do território, parte de um princípio simples.
A ideia é que a escola seja um centro de liderança no território em que está inserida.
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