Análise de dados, abstenções e estratégia nas redes: como campanha de Lula mudou rota no 2º turno e conseguiu virada inédita
Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da disputa presidencial, a campanha petista recalculou a rota para o segundo turno.
Entre as mudanças, montou uma sala de situação no QG em Brasília, liderada pelo secretário de Organização do PT, Laércio Ribeiro de Oliveira.
O grupo, que também tinha entre os coordenadores o senador Camilo Santana (PT-CE) e o presidente do PT, Edinho Silva, além de uma equipe técnica, passou a analisar dados para definir estratégias específicas por região.
O objetivo era identificar onde a campanha deveria trabalhar para aumentar a rejeição a Flávio Bolsonaro, onde deveria intensificar mensagens positivas e a mobilização por Lula e onde uma atuação mais intensa poderia acabar mobilizando eleitores do adversário.
Agora no g1 A diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno de eleição presidencial foi a menor já registrada desde a redemocratização.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual presidente teve 45,16%, uma distância de 1,87 ponto percentual, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em uma virada inédita, Lula venceu o segundo turno e foi reeleito com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio.
Laércio Oliveira explica que, no primeiro turno, a campanha de Lula se organizou com o que tinham de experiência exitosa de 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro.
Nessa primeira fase da campanha, a coordenação focou na montagem dos comitês de campanha e populares, com movimentos sociais, sindicatos e partidos da base.
"Somado a isso, a gente tinha a organização do Pode Espalhar, que era uma coisa montada em 2022, aprimorada um pouco, mas era orgânico, alcançava mais a militância.
Tivemos o Porta-voz do presidente Lula, sob a coordenação do Boulos, para tentar ampliar o simpatizante que não era do PT, mas que era progressista, mas, na prática, esse engajamento só aconteceu no segundo turno com [André] Janones, que extrapolou a bolha", disse o secretário.
A sala de situação foi montada em 5 de outubro, um dia depois da eleição do primeiro turno, e era composta por seis integrantes na sala física e mais dez na central de relacionamento virtual com pessoas de diferentes estados.
Também houve mudança na coordenação nacional da campanha, com a entrada de três políticos nordestinos para tentar mudar os rumos das eleições no segundo turno: O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, como coordenador político; o senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, na coordenação da agenda; e Rafael Fonteles (PT-PI), governador reeleito do Piauí, na coordenação da comunicação.
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