Romeu soa intolerável na Globo
Abstraindo os trechos em que soou apenas lamentável, Romeu Zema flertou com o intolerável em dois momentos da sabatina da TV Globo. Num, negou o complô do golpe. Noutro, defendeu o direito dos brasileiros de não tomar vacina. O presidenciável do Novo passou a impressão de estar em dúvida sobre qual borda da terra plana pretende saltar. Mas sinalizou que escolherá sempre o lado de Bolsonaro.
Zema disse ter se vacinado contra a Covid. Alvíssaras! Afirmou que crê na ciência. Aleluia!! Assegura que, como governador, aconselhou a vacinação de crianças. Bendito seja!!! Em seguida, declarou que o Estado não pode obrigar ninguém a se imunizar: "Não posso permitir que uma família, uma criança seja perseguida porque alguém não tomou a vacina".
O sabatinado deu de ombros para a Constituição. O direito da sociedade à saúde coletiva prevalece sobre a decisão individual de recusar a vacina. Todos têm o direito de manter suas convicções e idiossincrasias pessoais, desde que não coloquem em risco a vida alheia.
Zema sapateou sobre a Lei 13.979, de 2020. Ironicamente, foi sancionada pelo aliado Bolsonaro. Prevê no artigo 3º que, para enfrentar emergência de saúde pública, as autoridades podem adotar medidas excepcionais. Entre elas a vacinação compulsória.
De resto, Zema atropelou a jurisprudência do Supremo. Ao interpretar a lei sancionada por Bolsonaro, o plenário do tribunal decidiu que a obrigatoriedade da vacina é constitucional. A decisão foi tomada em dezembro de 2020. Pela decisão, ninguém será arrastado na marra até a seringa. Mas os não vacinados estão sujeitos a medidas restritivas — multa e proibição de frequentar determinados lugares.
Certos políticos só serão perfeitamente compreendidos daqui a um século. Políticos incertos, como Zema, só podem ser devidamente entendidos no século passado. Numa democracia, todos têm o direito de ser ouvidos. Mas felizmente isso não inclui o direito de serem levados a sério quando flertam com a tolice.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.