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Uma cidade de mineração subiu uma montanha sem ruas para carros e chegou a reunir milhares de moradores acima de uma das maiores minas de cobre do mundo

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Uma cidade de mineração subiu uma montanha sem ruas para carros e chegou a reunir milhares de moradores acima de uma das maiores minas de cobre do mundo

Sewell cresceu nos Andes chilenos com escadas no lugar de ruas e chegou a abrigar cerca de 15 mil moradores ligados à mina El Teniente

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Nos Andes centrais do Chile, a mais de 2.200 metros de altitude, surgiu no início do século XX uma comunidade criada para abrigar trabalhadores da mina El Teniente. A cidade mineradora de Sewell cresceu sobre encostas tão íngremes que sua circulação interna era essencialmente feita a pé , por escadas e passagens estreitas, formando uma paisagem urbana incomum ligada diretamente à expansão da mineração de cobre.

Sewell começou a se desenvolver em 1905, quando o engenheiro norte-americano William Braden recebeu autorização para explorar industrialmente El Teniente. A companhia ergueu moradias, instalações de serviço, equipamentos de mineração e infraestrutura ferroviária em uma área montanhosa de acesso difícil.

O relevo determinou a forma da cidade. Em vez de ruas convencionais para veículos, os edifícios foram distribuídos em diferentes níveis da encosta, conectados por escadas, caminhos de pedestres e pequenas praças. Essa configuração rendeu ao lugar o apelido de “Cidade das Escadas”.

As encostas de Cerro Negro eram íngremes demais para permitir uma malha viária interna convencional. Por isso, a grande escadaria central tornou-se o eixo principal da cidade, ligando setores residenciais, serviços, áreas de encontro e instalações associadas à mineração.

A circulação de trabalhadores e famílias dependia principalmente dessas passagens. O trem que conectava Sewell a Rancagua era fundamental para transportar pessoas e suprimentos até a região, mas dentro do núcleo urbano predominava o deslocamento a pé.

O vídeo da UNESCO apresenta Sewell e mostra como a cidade foi organizada sobre a encosta dos Andes.

A cidade existia essencialmente para atender à operação de El Teniente. Trabalhadores e suas famílias viviam próximos à mina, enquanto edifícios de madeira e aço reuniam residências, comércio, serviços e espaços públicos necessários a uma comunidade isolada nas montanhas.

Ao longo das décadas, formou-se uma cultura particular, marcada pelo encontro entre costumes chilenos e influências norte-americanas trazidas pelas empresas que administraram a operação. Essa mistura apareceu na arquitetura, na organização social e no cotidiano do assentamento.

Sewell é considerada um exemplo excepcional das chamadas company towns , assentamentos construídos por empresas em regiões remotas para explorar recursos naturais. No caso chileno, a mineração em grande escala exigiu que praticamente uma cidade inteira fosse implantada junto à mina.

A UNESCO reconheceu Sewell como Patrimônio Mundial em 2006 e destaca seu desenho urbano adaptado às encostas, sua circulação exclusivamente pedestre e a relação direta com El Teniente. A descrição oficial está disponível em https://whc.unesco.org/en/list/1214 .

No auge de seu desenvolvimento, em 1968, Sewell chegou a cerca de 15 mil habitantes e ocupava aproximadamente 175 mil metros quadrados.

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