Não existe outra
A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais.
A expressão acima é de autoria do maior estadista de toda a nossa história humana — no caso, o imortal Winston Churchill —, e isto no ano de 1947, num discurso na Câmara dos Comuns, portanto, logo após o final da Segunda Guerra Mundial. O pior, disse ele, porque não existia outro regime, tentado e instituído, melhor que a própria democracia.
Também concordo em número, gênero e grau que a democracia não é um regime perfeito; porém, até que seja encontrado um regime com menos imperfeições, que prevaleçam a democracia e as recorrentes tentativas que visam a aperfeiçoá-la, a despeito de algumas das nossas correntes políticas insistirem na manutenção dos seus vícios e erros.
Para tanto, basta que avaliemos algumas democracias que resultaram em ditaduras. Por exemplo: a ditadura imposta na Ilha de Cuba por Fidel Castro tinha como propósito pôr fim à ditadura cubana, à época comandada pelo ditador Fulgêncio Batista.
Lamentavelmente, a estabilidade de nossa democracia muito tem deixado a desejar, e para provar que sim, basta que lembremos a chamada política do Café com Leite — quando apenas os Estados de São Paulo e Minas Gerais podiam indicar candidatos à presidência da República —, a Ditadura Vargas, entre os anos 1930 e 1945, e a mais recente, a ditadura militar, entre os anos 1964 e 1985.
O fortalecimento de uma democracia depende fundamentalmente da independência e da harmonia dos seus poderes, justamente os previstos e instituídos pelo Barão de Montesquieu: o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário.
Lamentavelmente, os nossos três poderes, por não terem dado a devida importância ao quesito harmonia, encontram-se envolvidos numa gravíssima crise, pois nada justifica que o nosso Poder Judiciário tenha perdido a condição de árbitro.
Divergências entre representantes dos nossos poderes políticos até que se admitem, mas ferrenhas brigas entre integrantes do nosso STF (Supremo Tribunal Federal), jamais! Afinal de contas, a referida instituição, em última análise, é a única que tem o direito de acertar ou de errar por último, desde que a sua decisão vise a pôr fim a toda e qual quer crise.
Quem tem assistido às últimas reuniões do nosso STF tem observado que a nossa polarização política tem se feito presente em seus debates e, mais ainda, que em sua composição duas bancadas estão estabelecidas: a dos ministros lulistas e a dos ministros bolsonaristas.
Seguindo as orientações deixadas por Montesquieu, que as nossas crises tenham fim, quaisquer que sejam os resultados das nossas eleições.
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