“Não existe valor sem risco”, diz Gartner sobre retorno de investimento da IA
As organizações aumentaram o número de casos de uso de inteligência artificial (IA) em mais de 400% em apenas um ano, mas somente uma em cada cinco iniciativas entrega retorno sobre o investimento (ROI) positivo.
Os números são da pesquisa The Future of Work and AI, apresentada pelo Gartner nesta segunda-feira (21), durante a Conferência Gartner CIO & IT Executive , em São Paulo.
O levantamento indica que a urgência para implementar a inteligência artificial generativa (GenAI) transformou a tecnologia em pauta constante nas salas de conselho, sem que a velocidade da adoção se traduza em eficiência financeira.
Embora 58% dos executivos relatem obter algum valor positivo, 86% dos CIOs afirmam que os riscos crescem mais rápido do que o valor gerado pelas ferramentas.
Para a vice-presidente analista do Gartner no Brasil , Gabriela Vogel , a frustração com o retorno financeiro nasce de uma premissa errada de gestão.
“A IA deveria ser considerada como centro de custo, é um investimento de longo prazo”, afirma.
A baixa maturidade das empresas e a visão imediatista aparecem como os principais obstáculos para rentabilizar a tecnologia, muitas corporações ainda recorrem à automação como atalho para reduzir custos e ignoram os impactos operacionais; o Gartner prevê que, até 2029, 30% dos funcionários demitidos devido à substituição por IA precisarão ser recontratados, frequentemente a um custo muito superior.
Leia também: Cesar mira cobrança por performance com avanço da inteligência artificial Segundo Gabriela, a tecnologia escancara as fragilidades da organização, “um modelo operacional sem estrutura não se sustenta com IA”, declara.
Essa diferença de maturidade explica os resultados de baixo retorno apontados na pesquisa.
“O grau de maturidade e entendimento desta transformação não é igual para todas as organizações.
As instituições que estão abaixo do exigido pela transformação digital são as que não conseguem bater o ROI do investimento de IA”, explica a VP.
Diagnóstico antes da ferramenta A vice-presidente analista global do Gartner, Tori Paulman , reforça o ponto de Gabriela ao apontar que a falta de diagnóstico sobre os problemas reais do negócio impede a percepção de valor da tecnologia, “não é possível ensinar matemática para alguém que não vê e não sabe onde está o problema.
É o mesmo com IA”, reflete.
Para ela, “CIOs precisam começar a entender melhor sobre o negócio”.
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