O terraplanismo fiscal de Lula e a herança maldita para 2027
Diante do quadro fiscal preocupante do país, decorrente da gastança sem lastro do atual governo, começa a ganhar tração por aí o debate sobre como o presidente Lula vai lidar com a herança maldita que deixará para si mesmo, caso vença as eleições.
Com o risco concreto de o país entrar em recessão no ano que vem, em razão dos juros estratosféricos praticados pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias geradas pelo próprio governo, parece inevitável para muitos analistas que Lula tenha de promover algum tipo de ajuste nas contas públicas, num eventual quarto mandato.
Como aconteceu em 2022, quando o economista Armínio Fraga, ex-presidente do BC, publicou uma entrevista imaginária com Lula na qual atribuía a ele a promessa de cuidar da inflação e da questão fiscal, apesar de todas as evidências em contrário, os mais otimistas acreditam que, desta vez, se for reeleito, o presidente vai controlar as despesas e recolocar o Orçamento no azul, sem as exclusões de praxe da contabilidade oficial.
Só assim, na avaliação de quem acredita que dois mais dois é igual a quatro e não a cinco ou seis, será possível reduzir as pressões sobre a inflação, para que o BC possa acelerar o corte nos juros, e conter o crescimento da dívida pública, que era de 71,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2022, no fim do governo Bolsonaro, e deve fechar 2026 em 83,6% do PIB, conforme a previsão da própria Secretaria do Tesouro Nacional.
Só assim, também, o nível de confiança dos agentes econômicos vai aumentar e a economia voltará a crescer de forma sustentável, sem a injeção de anabolizantes que deixam efeitos colaterais perversos no médio e no longo prazos, embora gerem impacto positivo no curto prazo. O crédito ficará mais acessível, puxando o consumo e os investimentos privados na produção, em vez de sufocar as empresas e as pessoas, como acontece hoje, com o nível de endividamento batendo recordes históricos.
A questão é que, no mundo real, parece altamente improvável que Lula abrace, enfim, a responsabilidade fiscal, se vencer as eleições agora. Na campanha eleitoral, ele pode até dar algum sinal de que seguirá nessa direção, assumindo o compromisso de fazer exatamente o contrário do que fez em seu terceiro mandato, para tentar acalmar os mais aflitos com a situação fiscal do país.
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