Consumo de carne na Argentina cai a mínima em 20 anos; exportações aos EUA triplicam
A carne bovina, símbolo da identidade argentina e presença tradicional na mesa do país, está se tornando cada vez mais rara no prato dos consumidores.
O consumo anualizado caiu para 46,3 quilos por habitante em julho, o menor nível em mais de duas décadas, segundo a Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina (CICCRA).
O resultado representa uma queda de 9,4% em 12 meses, ou 4,8 quilos a menos por pessoa.
O dado sintetiza uma das contradições da economia argentina sob Javier Milei.
O presidente conseguiu reduzir drasticamente a inflação, recuperar o equilíbrio das contas públicas e recolocar a atividade em trajetória de crescimento.
Mas a melhora dos indicadores macroeconômicos não se converteu na mesma velocidade em poder de compra para as famílias.
A inflação acumulada em 12 meses ficou em 33,8% em julho, muito abaixo dos níveis registrados no início do governo Milei, embora tenha voltado a acelerar no mês, para 2,1%.
O resultado interrompeu uma sequência de três meses de desaceleração.
Continua após a publicidade A carne, entretanto, subiu mais do que a média dos preços e passou a disputar espaço com alternativas mais baratas, como frango e carne suína.
O encarecimento ocorre ao mesmo tempo em que há menos animais disponíveis para o abate e uma parcela maior da produção está sendo direcionada ao mercado externo.
Menos carne no mercado interno Entre janeiro e julho, a oferta destinada ao mercado doméstico somou cerca de 1,2 milhão de toneladas, uma redução de 163,4 mil toneladas, ou aproximadamente 12%, em relação ao mesmo período de 2025.
A queda está diretamente relacionada à diminuição do número de animais abatidos.
Continua após a publicidade No acumulado dos sete primeiros meses do ano, foram abatidos 7,09 milhões de bovinos, 9,8% menos que no mesmo período de 2025.
A retração é ainda maior quando comparada ao pico de abates registrado em 2023, quando pecuaristas reduziram seus rebanhos diante das condições adversas do mercado e de problemas climáticos.
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