Aurora testa 16 novas uvas para enfrentar mudanças no clima da Serra Gaúcha
A Cooperativa Vinícola Aurora está testando 16 variedades de uva mais resistentes e adaptadas às mudanças no clima da Serra Gaúcha.
O programa, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Sul, reúne clones melhorados de uvas já cultivadas na região e novas variedades com maior resistência a doenças como o míldio.
A iniciativa ganhou peso diante das alterações no regime de chuvas e temperaturas e da perspectiva de novos episódios climáticos extremos.
A Aurora reúne cerca de 1,1 mil produtores em onze municípios e responde historicamente por algo entre 10% e 15% da safra gaúcha de uvas.
Além da adaptação ao clima, os testes buscam variedades que exijam menos insumos, mantenham a qualidade da fruta e possam se adequar a novas formas de cultivo, inclusive à colheita mecanizada.
Segundo o gerente agrícola da Aurora, Maurício Bonafé, o objetivo é combinar produtividade, resistência e menor impacto ambiental.
O trabalho não parte do zero.
Duas variedades lançadas neste ano pela Embrapa, a BRS Lis e a BRS Antonella, passaram por seis anos de testes com seis cooperados da Aurora antes de chegar ao mercado.
A cooperativa mantém parceria com a Embrapa Uva e Vinho na avaliação de novas cultivares e clones.
A adaptação também passa pelo uso de dados.
Miniestações meteorológicas instaladas em diferentes microrregiões monitoram temperatura, umidade e precipitação e alimentam o Vitialerta, sistema que ajuda os produtores a antecipar riscos de pragas e doenças e a definir com maior precisão o uso de tratamentos fitossanitários.
Continua após a publicidade Segundo a Aurora, as informações climáticas também orientam decisões de adubação, poda, desfolha e conservação do solo.
A aposta da cooperativa é que a combinação de novas variedades, monitoramento e manejo consiga reduzir perdas e preservar a produção de uvas em um cenário de maior instabilidade climática.
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