Família culpa proibição do aborto por morte de grávida no Texas
A família de Tierra Walker processa autoridades do Texas e o hospital que a atendeu, alegando que a proibição estadual ao aborto causou sua morte durante a gravidez. De acordo com a imprensa norte-americana, a ação foi apresentada na terça-feira (15), em San Antonio, e cita o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, o Conselho Médico do estado, instituições de saúde e médicos.
Walker procurou o pronto-socorro do University Health em setembro de 2024, quando estava com 20 semanas de gravidez e apresentava sintomas de pré-eclâmpsia. A complicação pode causar pressão alta e falência de órgãos, afirma o processo.
A família afirma que Walker pediu a interrupção da gravidez diante da emergência médica, mas médicos negaram o procedimento e a mandaram para casa. A petição diz que ela solicitava o aborto havia meses, embora desejasse a gravidez, por temer não sobreviver: "Um aborto em qualquer momento de sua gravidez teria salvado sua vida".
Walker morreu em dezembro de 2024 e deixou o marido e um filho adolescente. Em entrevista coletiva, sua tia Latanya Walker declarou: "Tierra teria mudado o mundo. E ela está mudando agora".
A pré-eclâmpsia grave exige o parto imediato, mas a interrupção da gestação de Walker naquele estágio seria legalmente considerada aborto no Texas. A lei estadual permite o procedimento quando a gravidez causa uma condição que ameaça a vida da paciente.
O processo acusa autoridades texanas de criar uma proibição ampla que intimidaria médicos e provocaria receio entre profissionais de saúde. Familiares dizem que os médicos informaram a Walker que "seu bebê está bem".
O University Health afirmou que não comentaria especificamente o caso de Walker. Em nota, a porta-voz Elizabeth Allen disse que a prioridade da instituição é oferecer atendimento médico adequado e no momento oportuno, conforme a condição clínica, os padrões médicos e as exigências legais.
Representantes de Paxton não responderam de imediato a um pedido de comentário. O Conselho Médico do Texas e o sistema hospitalar também não comentaram a ação.
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