Instituto de Mendonça recebeu R$ 5 mi de parceiro de negócios de Vorcaro
O Instituto Iter, vinculado ao ministro André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa com foco em mineração. O dono da holding, Lucas Kallas, foi parceiro de negócios do banqueiro Daniel Vorcaro.
O repasse foi acertado em abril de 2024, em contrato de mútuo conversível —negócio em que a empresa que empresta o dinheiro pode converter o crédito em participação societária do instituto ou receber o montante de volta.
O valor total do contrato era de R$ 5,9 milhões. O Iter, porém, decidiu interromper os repasses e iniciar a devolução dos recursos à Cedro em janeiro deste ano. No mês seguinte, André Mendonça foi sorteado relator das investigações sobre o Master. O instituto diz, em nota, que tomou a decisão de encerrar o empréstimo porque "já se encontrava em situação de sustentabilidade financeira".
"Foi assinado um termo aditivo ao Mútuo no qual foi estabelecido o vencimento antecipado da dívida com o início imediato do pagamento dos valores devidos pelo Iter. A taxa de juros determinada foi a taxa SELIC. Até o momento já foram pagos cerca de 5,3% do total da dívida", afirma o Iter.
A negociação foi realizada pelo presidente do Iter e ex-ministro da Educação, Victor Godoy Veiga, com dois representantes da Cedro: Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto. O instituto informou, em nota, que Mendonça e Lucas Kallas não discutiram os termos da transação.
O contrato previa que todo o valor do empréstimo seria utilizado para investir na estruturação e nas atividades do Iter. Estabelecia, ainda, prazos e a quantidade de parcelas que seriam repassadas pela Cedro.
O Iter respondeu a questionamentos feitos pelo UOL. O instituto afirma que cumpriu as exigências contratuais e "jamais distribuiu a seus acionistas qualquer valor a título de lucro, dividendo ou participação nos resultados".
"A totalidade dos recursos foi depositada diretamente em conta da pessoa jurídica do Instituto Iter e aplicada, por obrigação contratual e sob acompanhamento contábil, exclusivamente na estruturação e nas atividades da entidade, com registro da respectiva destinação. Não houve, em nenhum momento, utilização dos recursos para finalidade diversa daquela contratualmente estabelecida.", prossegue.
O Instituto nega que Daniel Vorcaro tenha participado das tratativas e diz que não conhecia outras "relações societárias ou empresariais eventualmente mantidas pela Cedro Participações ou pelo senhor Kallas".
"Fatos supervenientes ao contrato não afetam a licitude nem a normalidade do mútuo então celebrado, cuja validade se afere pelos seus próprios termos e pela legislação vigente à data de sua celebração", completa.
André Mendonça deixou o Iter no início de setembro. O instituto diz que o ministro "jamais recebeu dividendos, distribuição de lucros ou participações nos resultados" e que sua atuação se limitava ao "âmbito acadêmico como docente".
Procurado, o ministro André Mendonça não se manifestou. O UOL também entrou em contato e espera manifestação de Lucas Kallas, dono da Cedro.
Lucas Kallas é um empresário mineiro dono da Cedro Participações, holding cujo foco são atividades como mineração, agronegócio e logística.
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