Empresários são presos em operação contra venda ilegal de armas para facções no ES
Dois empresários e um funcionário de uma loja de armas foram presos durante uma operação da Polícia Civil que investiga um esquema de comércio ilegal de armas de fogo e munições destinadas a organizações riminosas. Segundo a corporação, estabelecimentos utilizavam documentos falsos e irregularidades nos registros de compra e venda para desviar armamento.
A Operação Câmara Fria foi realizada no dia 7 de outubro, quando foram apreendidas 118 armas de fogo e cerca de 4 mil munições. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em nove lojas, sendo cinco na Grande Vitória, uma em Castelo, no Sul do Espírito Santo, e três no Rio de Janeiro. Os detalhes da investigação foram divulgados pela Polícia Civil em entrevista coletiva nesta segunda-feira (19).
Conforme apuração da repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, os presos são Luciano dos Santos Freitas, de 60 anos, proprietário de uma loja em Campo Grande, em Cariacica; Israel Rufino dos Santos, de 49, dono de um estabelecimento em Vila Merlo, também em Cariacica; e Arlenn Carvalho Muzzi, de 43, funcionário de Israel.
Os três foram presos em flagrante por suspeita de falsidade ideológica e comércio ilegal de armas de fogo e munições. A operação contou com participação da Polícia Militar, da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), do Exército Brasileiro e da Secretaria da Fazenda do Espírito Santo (Sefaz)
De acordo com Rodrigues, em alguns comércios, as munições eram vendidas com documentos de terceiros, sem o conhecimento dos titulares. Em outros casos, eram utilizados registros falsos para a aquisição de armas.
O delegado apontou ainda falhas no sistema utilizado para registrar a comercialização de munições, que permitiriam o lançamento de vendas com CPFs inválidos ou pertencentes a pessoas sem autorização legal para adquirir o material.
“A única fabricante nacional de munições, que é a CBC, criou um sistema informático que gere a venda de munições. Nele, era possível a inserção do CPF inválido, do CPF de qualquer bandido e de um CPF de alguém não habilitado legalmente para compra de uma arma, e era possível registrar uma venda inidônea para uma pessoa inapta para essa aquisição”, detalhou o delegado.
Diante da identificação de irregularidades semelhantes em outros estados, o Instituto Sou da Paz reuniu representantes de órgãos de segurança e fiscalização para discutir formas de aprimorar o controle sobre a comercialização de armas e munições.
Segundo Rodrigues, o encontro contou com representantes do Exército, da Receita Federal e da Polícia Federal e resultou na criação de um mecanismo de consulta pública para verificar a autenticidade de autorizações e registros.
“O comprador podia aparecer em uma loja e o lojista não tinha, tecnicamente, como ter a certeza de que aquele documento era falso.
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