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Economia

A fake news das estatais e o projeto privatista

UOL Economia ·
A fake news das estatais e o projeto privatista

Nos últimos meses, manchetes sobre um suposto "rombo" das empresas públicas voltaram a alimentar uma velha fake news: a de que empresas públicas são, por definição, ineficientes e dão prejuízo aos brasileiros.

Para sustentar essa narrativa, confundem déficit fiscal com prejuízo contábil, escondem lucros, dividendos e investimentos e transformam a crise específica dos Correios em retrato de todo o setor estatal.

Não se trata apenas de um erro técnico, mas de uma disputa política sobre quem deve controlar o crédito, a energia, a infraestrutura e as tecnologias estratégicas do país.

Enquanto as principais economias do mundo ampliam a presença do Estado em setores estratégicos, e a maioria dos brasileiros defende que empresas como a Petrobras permaneçam públicas, ganha força no Brasil um novo projeto privatista, expresso no programa de Flávio Bolsonaro pela proposta de retomada do Programa Nacional de Desestatização.

Dentre as fake news estão aquelas que fazem uso inapropriado da palavra "déficit". O número divulgado pelo Banco Central é uma estatística fiscal baseada no fluxo de caixa de apenas parte das empresas públicas. Não corresponde ao lucro ou ao prejuízo registrado em seus balanços. Quando uma estatal utiliza recursos próprios para investir, o dinheiro sai do caixa no presente e aparece como déficit, embora se transforme em infraestrutura e capacidade produtiva. Até o pagamento de dividendos à União piora esse indicador. Uma empresa pode, portanto, apresentar déficit primário e lucro simultaneamente. Os números que raramente chegam às manchetes mostram outro quadro. Em 2025, as empresas publicas federais registraram lucro de R$ 169,4 bilhões. Desde 2023, acumularam R$ 483,8 bilhões, resultado 23% superior, em termos reais, ao dos três primeiros anos do governo anterior.

Somente em 2025, transferiram R$ 45,8 bilhões em dividendos à União e outros R$ 38,4 bilhões foram pagos aos demais acionistas. Pagaram R$ 238,3 bilhões em impostos e alcançaram faturamento de R$ 1,4 trilhão. Também investiram R$ 115,9 bilhões, mais que o dobro do realizado em 2022.

De cada três reais investidos pelo setor público brasileiro, aproximadamente um veio de uma estatal (Numeros do Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais 2026, elaborado pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI).

Esse desempenho vai além do balanço contábil. A cada R$ 3 de crédito imobiliário da economia brasileira, R$ 2 vêm da Caixa Econômica Federal, o velho sonho da casa própria no Brasil passa por ali.

O BNDES mobilizou cerca de R$ 1 bilhão por dia em crédito em 2025. O Banco do Brasil responde por 41% do financiamento ao agronegócio, enquanto as tecnologias da Embrapa geraram R$ 107 bilhões em benefícios aos produtores rurais, pois estima-se que cada real investido pela Embrapa se reverta em 27 reais para a sociedade brasileira.

Os hospitais estatais realizaram 9,8 milhões de atendimentos e 516 mil internações pelo SUS. Os Correios, por sua vez, estão presentes em 5.562 municípios e entregam em 93% dos distritos do país.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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