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Economia

Falhas da Enel e de trens põem concessões no centro da eleição em SP

UOL Economia ·

Em dezembro de 2025, um apagão deixou 4,4 milhões de clientes da Enel sem luz na Grande São Paulo. Oito meses depois, passageiros de um trem da Linha 8-Diamante tiveram de deixar os vagões e caminhar pelos trilhos após um descarrilamento perto da Estação Osasco. Foi o segundo descarrilamento na linha em menos de 24 horas, embora o primeiro tenha envolvido um trem sem passageiros.

Os episódios transformaram serviços operados por empresas privadas em assunto cotidiano e deram munição ao debate sobre concessões e privatizações na eleição para o governo de São Paulo. Mas casos seguem regras diferentes: a Enel opera uma concessão federal, enquanto o contrato das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda é estadual.

Essa diferença define o alcance das decisões do próximo governador. No setor elétrico, o Estado executa parte da fiscalização por meio da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), mas cabe ao governo federal decidir sobre o contrato. Nos trens, o governo paulista é o poder concedente, fiscaliza a operação por meio da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e pode aplicar as medidas previstas no acordo.

Os apagões prolongados que atingem a Grande São Paulo desde 2023 expuseram falhas na preparação da Enel para eventos climáticos extremos. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontou demora elevada no atendimento emergencial, aumento das interrupções superiores a 24 horas e deficiências nos planos de contingência adotados em 2023, 2024 e 2025.

A distribuidora enfrenta agora um processo de caducidade, que pode levar à extinção da concessão. Depois de analisar a defesa da empresa, a Aneel decidirá se recomenda o rompimento ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela decisão final. A antiga Eletropaulo foi privatizada em 1998, a Enel assumiu o controle da distribuidora em 2018 e o contrato atual vence em 2028.

Uma decisão de primeira instância da Justiça paulista reforçou na terça-feira da semana passada as críticas à atuação da empresa. No julgamento de uma ação movida pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública, a Justiça reconheceu falhas no apagão de dezembro de 2025 e entendeu que a intensidade do ciclone não afastava a responsabilidade da distribuidora de manter um plano de contingência . Segundo dados citados no processo, 3.056 ocorrências demoraram mais de 24 horas para serem resolvidas e atingiram 759 mil consumidores.

Em nota enviada ao UOL , a Enel disse que nos últimos dois anos investiu cerca de R$ 5 bilhões na distribuição de energia em São Paulo e que, entre 2023 e 2025, os investimentos cresceram 73%.

"Os resultados também aparecem nos indicadores operacionais. Desde 2023, o tempo médio de atendimento ao cliente (TMA) caiu cerca de 60%, as interrupções prolongadas, com mais de 24h, reduziram 90%. O tempo médio de atendimento da companhia está entre os melhores do Brasil ", afirma em nota.

A repetição de eventos climáticos extremos exige obrigações contratuais mais específicas, segundo Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da FGV e ex-diretora da Aneel.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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