Da inteligência artificial ao consumo: como o PIB dos EUA acelerou para 3,4%
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa trimestral anualizada de 3,4% no terceiro trimestre de 2026, de acordo com a leitura preliminar divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Departamento do Comércio do país.
O avanço superou a expectativa do mercado, que projetava alta em torno de 3,1%, e marcou uma aceleração relevante em relação ao segundo trimestre, quando a atividade havia expandido 2,2%.
A aceleração do PIB real no período refletiu, segundo analistas, principalmente: A retomada dos gastos do governo; Aceleração dos investimentos; Resiliência contínua dos consumidores.
O que impulsionou o PIB: a força do consumo e o boom da IA Na avaliação da Monte Bravo Corretora, a abertura dos dados revela um crescimento saudável e bem distribuído na ponta da demanda, impulsionado sobretudo pelas famílias: "A abertura mostrou um crescimento bastante saudável.
O consumo das famílias contribuiu com 2,5 pontos percentuais (p.p.): 0,6 p.p. vieram dos bens e 1,9 p.p., dos serviços, que aceleraram de forma significativa em relação aos trimestres anteriores", diz a corretora.
Outro motor de tração essencial foi o investimento fixo não residencial, alavancado pela expansão de investimentos das empresas de inteligência artificial (IA) — segmento que segue adicionando fôlego aos dados e deve permanecer aquecido nos próximos trimestres, na avaliação da casa.
Nas contas públicas, os gastos do governo federal também voltaram a ter contribuição positiva expressiva após períodos de expansão tímida, enquanto governos estaduais e locais mantiveram estabilidade.
A casa adiciona que a contribuição dos estoques foi bastante elevada, mas mais do que compensada pela contribuição negativa do setor externo.
"Esse resultado foi puxado pelo aumento das importações, em especial pela forte demanda americana por itens ligados à tecnologia", diz a análise da corretora.
Por outro lado, a Monte Bravo cita que o investimento residencial segue pressionado pelos juros elevados, que mantêm as taxas de financiamento imobiliário no maior patamar dos últimos 20 anos.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o ritmo aquecido da atividade norte-americana altera a dinâmica de alocação global de recursos.
Do lado de cá, para a bolsa brasileira, isso significa maior concorrência dos investimentos americanos e pressão sobre o custo de capital, que reduz o valor atribuído aos lucros futuros das empresas.
Por lá, uma economia mais forte reduz a urgência de estímulos pelo Fed.
Com informações do Valor PRO, serviço de notícia em tempo real do Valor Econômico.
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