Canto dos pássaros segue padrão estatístico encontrado na linguagem humana, diz estudo
A língua portuguesa segue um padrão bem claro – e não me refiro à norma-culta.
Trata-se de uma questão matemática: o português, assim como quase todos os idiomas do mundo, segue um padrão famoso chamado Lei de Zipf.
A regra se baseia na ideia de que a palavra mais usada em um texto aparece o dobro de vezes da segunda mais usada, que aparece três vezes mais que a terceira, e por aí vai.
Agora, um artigo publicado na revista Science Advances indica que o canto dos passáros Manon (Lonchura striata domestica ) utiliza este mesmo padrão estatístico.
As aves canoras, famosas por seus cantos, teriam desenvolvido a técnica com o intuito de tornar mais fácil o aprendizado de seus cantos e, assim, poder transmiti-los de geração em geração.
O linguista norte-americano George Kingsley Zipf notou este padrão entre humanos há quase um século, enquanto lecionava em Harvard na década de 30.
No inglês, por exemplo, a palavra mais comum é o artigo the – que em português seria “o”, “a” e suas variações no plural.
As segundas mais comuns, por sua vez, apareciam pela metade (seriam elas “and” e “of”, que por aqui são “e” e “de”).
É provável, porém, que o padrão nos cantos de pássaros não tenha um significado específico como os idiomas humanos.
Ainda assim, descobertas como essas desafiam a noção de que a linguagem humana é única.
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