A ilusão das pesquisas eleitorais
Não é o caso de dizer que as pesquisas estão erradas, mas não se pode encará-las da mesma forma após os resultados do primeiro turno
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Os apoiadores de Lula celebram, com razão, a mobilização do segundo turno nas ruas e nas redes sociais. O medo da eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente reenergizou a esquerda brasileira, que, aparentemente, segue sem enxergar motivos para defender o presidente petista, mas resolveu sair de casa para tentar impedir a volta da família Bolsonaro ao poder.
Esses lulistas apoiam sua confiança nas pesquisas eleitorais, em especial as da PoderData , que indicaram uma queda de seis pontos percentuais na distância de Flávio para Lula desde o fim do primeiro turno, sinalizando um empate em 50% dos votos válidos entre os dois.
É provável que essa pesquisa esteja correta — e não há qualquer motivo para desconfiar das intenções do instituto — , mas é preciso definir o que seria estar correto.
Outros institutos indicaram que há de fato uma onda favorável para Lula, pelo menos do ponto de vista anímico, mas isso não quer dizer que ela se manifestará na urna. A distância entre o resultado do primeiro turno e o que as pesquisas indicavam, aliás, não é animadora para os lulistas.
Andrei Roman , CEO da AtlasIntel , foi o único que elaborou de forma mais clara uma tentativa de entender a surpresa das urnas no primeiro turno, já que poucas pesquisas davam Flávio à frente, apesar de boa parte delas poder alegar que o resultado ficou dentro da margem de erro.
“Uma análise ainda preliminar do que aconteceu aponta para um problema bastante complexo: uma subrepresentação sistemática de eleitores que trocaram de lado em relação ao voto passado” , disse Roman, elaborando sobre as estratégias do instituto para ponderar os números:
“AtlasIntel conta com diversas maneiras de tratar o viés de auto-seleção dos respondentes. Neste caso, no entato algumas questões dificultaram essa deteção: uma concentração deste padrão em cidades pequenas (Lula manteve sua votação nas grandes cidades) e entre eleitores mais pobres e com menos educação (a queda foi significativamente menor entre eleitores com ensino médio ou superior). Chama também atenção que não apenas as pesquisas online e telefônicas não conseguiram capturar bem esse fenômeno mas também as pesquisas presenciais. Uma tese também preliminar é que o eleitor que trocou de lado fez isso de uma forma silenciosa e sem muito entusiasmo, talvez em função da própria decisão de se arrepender do voto passado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.