Crise no STF ameaça deixar decisões importantes do agro em espera
Ao menos 19 processos de interesse do agronegócio podem ser afetados pela crise interna no STF (Supremo Tribunal Federal) .
A instabilidade pode reduzir ainda mais o espaço para a retomada de julgamentos com impacto direto sobre o setor.
Marco temporal, regularização fundiária, aquisição de terras por estrangeiros, faixa de fronteira e licenciamento ambiental estão entre os temas acompanhados pelo setor e que dependem de decisões da Corte. [Confira a lista ao fim desta reportagem] Entidades representativas do agronegócio se manifestaram nesta semana cobrando a não paralisação dos temas em virtude da situação no Supremo.
O risco, segundo especialistas ouvidos pela CNN, não é apenas o adiamento de um julgamento.
A permanência de processos sem uma definição final mantém dúvidas sobre propriedade, garantias, contratos, investimentos e acesso ao crédito.
STF em crise: o que o agronegócio pode ganhar ou perder com a instabilidade Crise no STF adiciona incerteza a um agro que já enfrenta aperto de crédito Faesp alerta para crise institucional e cobra transparência do STF A preocupação ganhou força em meio à crise que se aprofundou dentro do STF.
O julgamento que ocorreu na terça-feira (15) foi dominado por discussões sobre a condução processual e críticas ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin .
O episódio não foi a causa dos adiamentos de processos relacionados ao agro que já ocorreram ao longo do ano.
Mas, segundo especialistas, a instabilidade institucional pode dificultar a retomada de uma pauta que já tem casos relevantes parados.
Entre os processos estão os embargos de declaração relacionados ao Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365, que trata do marco temporal, e o conjunto formado pela Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 87 e pelas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7.582, 7.583 e 7.586, relacionadas à demarcação de terras indígenas.
No caso da ADI 7.586, por exemplo, o julgamento dos embargos de declaração foi suspenso após pedido de vista do ministro Dias Toffoli em agosto.
O processo teve novas petições depois da suspensão.
Também estão no radar as ações que questionam a lei de regularização fundiária.
O julgamento das ADIs 5.771 e 5.787 foi iniciado em agosto e suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
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