Por que o teste de apego virou febre nas redes — e o que ele não explica
Nas redes sociais, uma expressão ganhou força nos últimos meses para descrever um relacionamento que perdeu a intimidade: “fase colega de quarto”.
É quando o casal deixa de se tocar e conversar sobre o dia a dia, e passa a dividir apenas a logística da casa: contas, compras e a louça da pia, além do tédio.
Para tentar entender essa “crise de relacionamentos” , muitos tiktokers foram buscar, no final da década de 1950, uma teoria de desenvolvimento infantil e sobrevivência biológica que acabou se transformando em um guia de conselhos amorosos: a Teoria do Apego.
Leia mais Quando jogar videogame deixa de ser só diversão? Plantas: como escolher a melhor para cada ambiente da casa Terapeutiquês: quando o TikTok distribui diagnósticos, mas não explicações Usada quase 70 anos depois, a ferramenta popular de autoconhecimento parte de conceitos de um desdobramento da teoria original chamado Apego Adulto, criado pelos pesquisadores Cindy Hazan e Phillip Shaver.
Desse campo, vieram o vocabulário, as dicas de namoro e os termos “ansioso” e “evitativo”.
Na cabeça dos criadores do conteúdo, o raciocínio funciona como uma engenharia reversa.
Se um namorado some do WhatsApp e a proximidade esfria, ele recebe um rótulo do Apego Adulto: “Ele está agindo como um evitativo”.
Mas a explicação, segundo a teoria original de John Bowlby, seria esta: o sistema de apego dele foi moldado na infância por pais distantes.
O problema é que a teoria do psiquiatra britânico descreve como o vínculo entre bebês e cuidadores molda expectativas sobre relacionamentos futuros.
Ou seja, é um modelo sobre a infância, não um diagnóstico de comportamento amoroso adulto do século 21 .
As pessoas podem mudar o seu estilo de apego? Relações significativas funcionam como estações — capazes de diluir o padrão de apego original ao longo do caminho, sem apagá-lo por completo • Magnific Autor do livro “Teoria do Apego: Fundamentos, Pesquisas e Implicações Clínicas”, o psicólogo e pós-doutor em psiquiatria Cristiano Nabuco afirma que o interesse crescente pelo tema é bem-vindo: funciona como mais um insumo para as pessoas desenvolverem autoconsciência sobre o próprio comportamento.
Falando à CNN Brasil , Nabuco explica que o problema começa no que se entende por estilo de apego.
Isso porque temos uma tendência a comparar o comportamento da pessoa a uma caricatura: o sujeito frio e calculista, o cientista isolado, o juiz que não conversa com ninguém.
“Na verdade, não é isso, isso é o que aparece do padrão de apego”, pontua.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.