Há 45 anos, Adriane vive em corpo que não reconhece como seu
Há 45 anos, Adriane André de Moura vive em um corpo que não reconhece como seu.
Nos olhos anestesiados pela dor em ter que conviver com isso, uma trajetória de fugas, julgamentos e esperança.
Este último sentimento é novo para ela.
Depois de chegar ao extremo para se livrar do órgão genital, Adriane enfim conseguiu se desamarrar do medo para entrar na fila da cirurgia de redesignação de sexo oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A angústia da espera piora o cenário que já é delicado.
A atitude demorou pelo peso de ter nascido nos anos 1980 e por achar que conseguiria suportar a existência assim.
Ela nunca conheceu a felicidade.
No sofá da casa onde mora com a mãe, ela relata como conseguiu lidar com tudo.
“Eu nasci uma mulher com a cabeça de mulher e com o sexo masculino.
Eu acho que é horrível você nascer assim, é muito difícil conviver com isso.
Cheguei a um ponto que não aguento mais essa situação.
Eu não aceito, meu corpo não aceita e minha cabeça não aceita”.
Durante a vida, não faltaram dedos apontando para ela e dizendo o quão feia, desrespeitadora e anormal Adriane era.
A batalha para existir do jeito que é sempre foi uma luta árdua e, para ela, a única salvação é a cirurgia.
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