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Raios matam milhares de pessoas no mundo a cada ano, mas para os sobreviventes a tempestade está longe de ter acabado

Terra ·
Raios matam milhares de pessoas no mundo a cada ano, mas para os sobreviventes a tempestade está longe de ter acabado

Todos os anos, estima-se que 6.000 a 24.000 pessoas morram atingidas por raios em todo o mundo, e muitas outras fiquem feridas.

Obviamente, há uma grande variação nesses números, e isso se deve ao fato de que essas estimativas se baseiam em informações limitadas e incompletas.

Sou pesquisadora especializada em raios na Universidade de Dakota do Norte. Estudo tanto a física dos raios quanto seu impacto nas pessoas. A física é a mesma, não importa onde você esteja, mas os impactos podem ser muito diferentes dependendo de onde você mora.

As pesquisas sobre os efeitos dos raios na saúde são escassas até mesmo nos EUA, mas na África Central — uma das regiões com maior atividade de raios do planeta — pesquisadores como eu não sabem quase nada sobre quem está sendo atingido e o que acontece com essas pessoas. É por isso que passei os últimos 10 anos trabalhando com a Rede Africana de Centros de Educação sobre Raios, uma organização sem fins lucrativos que atua para reduzir mortes, ferimentos e danos materiais causados por relâmpagos em toda a África, com o objetivo de construir o maior banco de dados sobre vítimas de raios disponível ao público no continente.

Nossa equipe começou a coletar dados para a iniciativa em janeiro de 2018, abrangendo 46 dos 54 países da África. Em junho de 2026, o banco de dados contava com mais de 2.100 registros. Tenho usado essas informações para entender melhor quando, onde e por que essas mortes e ferimentos por raios ocorrem.

Muitos incidentes com raios não são relatados, especialmente no Sul Global, onde o acesso à internet é muitas vezes precário, pode haver agitação social ou as crenças culturais atribuem os golpes de raio a forças sobrenaturais.

Além disso, há a barreira linguística: só no continente africano, ao menos 75 idiomas são falados por mais de um milhão de pessoas cada, e centenas de outros são usados por populações menores. Isso dificulta o acompanhamento de notícias sobre quedas de raios ao redor do mundo, mesmo quando elas estão disponíveis.

A África sofre, em média, de 2 milhões a 4 milhões de quedas de raios por ano.

Perto do equador, a Bacia do Congo recebe intenso aquecimento solar durante todo o ano. O vapor de água da Floresta Tropical do Congo, a segunda maior floresta tropical do mundo depois da Amazônia, alimenta constantemente o ar quente e úmido proveniente do Golfo da Guiné. O Planalto de Adamawa e as Terras Altas dos Camarões empurram esse ar para cima, criando algumas das tempestades mais eletricamente ativas da Terra.

Mas a frequência dos raios por si só nessa região não explica o alto número de feridos e mortos por descargas elétricas na África. A verdadeira história também envolve exposição e vulnerabilidade.

Para entender onde os raios representam a maior ameaça, nossa equipe criou uma maneira de medir e comparar o risco entre os países. Atribuímos uma pontuação a cada país com base em três fatores: quantos raios caem no local, o que é conhecido como "risco"; quantas pessoas ficam feridas ou morrem em relação à população, ou seja, a "exposição"; e o grau de vulnerabilidade da população, com base no produto interno bruto per capita, de acordo com o Banco Mundial.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.

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