Ebola se espalha na RD do Congo e chega a nova província; OMS pede mais recursos
O atual surto de ebola na República Democrática do Congo está desafiando as autoridades de saúde e a comunidade internacional devido à sua velocidade sem precedentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença está se espalhando mais rápido do que qualquer outra epidemia de ebola já registrada, com o número de mortes duplicando em um intervalo de apenas três semanas.
Até o momento, pelo menos 2.061 pessoas morreram, com mais de 4.400 casos confirmados. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, alertou que o ritmo é tão alarmante que a crise atual pode superar a trágica epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, considerada a maior da história.
Jean Kaseya, diretor-geral do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), afirmou nesta quinta-feira que foi registrada uma morte na província de Bas-Uele, até então não afetada. O homem havia viajado de Isiro, na província de Haut-Uele, para Buta, capital de Bas-Uele, onde veio a falecer, segundo Kaseya.
Seis das 26 províncias da RDC já foram afetadas — principalmente aquelas ao longo da fronteira nordeste —, com mais de 3.400 casos registrados na província de Ituri, onde o surto foi relatado pela primeira vez. Uganda registrou 20 casos, todos na capital Kampala, sendo o último caso relatado em 21 de junho, sem registro de transmissão comunitária.
O número de mortes aumentou de forma quase três vezes mais rápida do que no surto de 2014-2016. Ao contrário da variante Zaire, que já possui uma vacina licenciada, a atual, Bundibugyo, é mais rara e, no momento, não existem vacinas ou tratamentos clínicos aprovados para enfrentá-la, o que torna o controle da transmissão muito mais difícil.
Um dos dados mais preocupantes revelados pela OMS é que entre 60% e 70% das mortes estão ocorrendo fora dos hospitais, nas próprias casas e comunidades das vítimas. Isso indica a existência de “correntes de transmissão ocultas”, pois muitas dessas pessoas sequer estavam nas listas de monitoramento das equipes de saúde.
O chefe da OMS reforçou que só será possível vencer o vírus se houver uma parceria real com a população local, respeitando suas tradições e garantindo cuidados dignos desde o primeiro sintoma.
Ensaios clínicos urgentes começaram a testar três novas vacinas candidatas específicas para a variante Bundibugyo, incluindo tecnologias de mRNA (semelhantes às da Covid-19) e vetores virais desenvolvidos pela Universidade de Oxford.
Apesar do esforço, a operação precisa de recursos. Segundo uma estimativa da OMS, são necessários US$ 518 milhões para o Plano de Resposta Continental, mas apenas cerca de metade desse valor foi desembolsado até agora. O corte de ajuda internacional, como o fechamento da agência USAID na região em 2025, agravou o cenário financeiro.
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