Operação Escudo: PMs de Tarcísio que balearam motoboy vão a júri popular
A Justiça de Santos, no litoral paulista, determinou que o sargento Thiago Freitas da Silva e os soldados Daniel Pereira Noda e Carlos Vinicius Batista Bruno sejam submetidos a júri popular por tentativa de homicídio qualificado contra o motoboy Evandro Alves da Silva.
O caso ocorreu em 30 de agosto de 2023 , no Morro José Menino, em Santos, durante a Operação Escudo, quando os três policiais invadiram um imóvel e atiraram em Evandro, que estava nu e desarmado no banheiro.
A decisão da Vara do Júri e Execuções da Comarca de Santos foi baseada em depoimentos da vítima, de testemunhas e em provas técnicas, incluindo as gravações das câmeras corporais dos próprios agentes.
A juíza Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia fundamentou a decisão nos depoimentos colhidos durante a fase de instrução e nas provas técnicas reunidas ao longo do processo.
“A prova oral produzida em juízo, notadamente os depoimentos da vítima e das testemunhas, aliada às circunstâncias em que os fatos teriam ocorrido, fornece substrato suficiente para que o Conselho de Sentença examine se os acusados agiram conforme denunciados”, afirmou a magistrada.
Relembre o caso No dia 30 de agosto de 2023, Evandro Alves da Silva estava nu e usava o banheiro de um imóvel no Morro José Menino, em Santos, quando os três policiais invadiram o local e abriram fogo.
O imóvel era alugado por ele há menos de 30 dias e funcionava como ponto de apoio para mototaxistas, onde guardavam bolsas, capas de chuva e roupas.
Mesmo baleado, Evandro tentou fugir pela janela do banheiro e caiu de uma altura de sete metros, sendo atingido novamente.
Sobreviveu após mais de 20 dias em coma.
As gravações das câmeras corporais dos policiais se tornaram a peça central do processo.
As imagens mostram que, no momento dos disparos, não havia arma alguma sobre a cama do imóvel.
Cerca de dois minutos depois dos tiros, uma pistola semiautomática cromada aparece no local , o que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) considera uma arma plantada.
O inquérito aberto contra Evandro por resistência e porte ilegal de arma de fogo foi arquivado em dezembro de 2025, após o MP-SP comprovar que ele não estava armado.
Em depoimento à Justiça, Evandro relatou as consequências físicas e psicológicas do ataque: fraturas em diversas costelas, perda do baço e de parte do pulmão esquerdo, além de crises de pânico e limitações físicas permanentes.
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