Juros de 10 anos nos EUA atingem maior nível desde 2023; por que isso importa?
Uma nova onda de venda de títulos do governo dos Estados Unidos nesta segunda-feira (14) levou o rendimento do título do Tesouro de 10 anos a superar a marca psicológica de 5% pela primeira vez desde meados de 2023.
Nesta manhã, o yield do título referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito atingiu 5,014 %, em meio à disparada dos preços do petróleo para o nível próximo a US$ 110 e à consolidação das apostas em uma alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
O rendimento logo perdeu força e voltou a cair.
Por volta de 14h (horário de Brasília), o yield operava a 4,613% ante 4,644% do ajuste anterior.
O ING já havia afirmado que o rendimento a 5% parecia mais uma inevitabilidade do que uma previsão.
Nas contas do banco, o yield a 5% para os títulos de 10 anos representa uma “concessão” de apenas 50 pontos-base no limite superior do que seria uma faixa neutra para esse rendimento (de 4% a 4,5%).
“Tal concessão não é agressiva, dado o atual cenário de inflação acima de 3% e gastos fiscais equivalentes a 6% do PIB”, afirmou o banco em relatório divulgado na última quinta-feira (10).
Padhraic Garvey, diretor de Research para as Américas do ING, ainda considerou que o yield pode atingir 6% no curto prazo.
“Essa trajetória, de 5% para 6%, seria muito mais difícil de ser digerida pelo mercado em geral.
Não estamos prevendo isso.
Mas também não estamos descartando essa possibilidade”, acrescentou.
Na visão do especialista, as recompras de títulos longos anunciadas recentemente pelo Tesouro norte-americano, em vez de acalmar o mercado de curto prazo, provocou um aumento nas taxas de juros.
“Isso por si só já foi revelador.
O que deveria ter sido um estímulo positivo para os títulos, na verdade, transformou-se em um aumento implícito no desconto de mercado para altas de juros”, avaliou.
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