Carla Madeira: quem é a autora mais lida do Brasil que levou a experiência com a filha lésbica para novo livro
A experiência de descobrir que a própria filha era lésbica fez Carla Madeira olhar de outra maneira para a homofobia e para a violência enfrentada por mulheres LGBTQIA+.
O que começou como uma preocupação de mãe acabou também atravessando a literatura da escritora, que transformou parte dessas inquietações em matéria-prima para “Quando”, seu quarto romance, lançado em agosto.
Em entrevista ao videocast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do O Globo, Carla contou que sua primeira reação ao saber que a filha, Ana, estava namorando uma mulher foi pensar que não tinha nenhum problema com pessoas gays.
A percepção mudou quando entendeu que a situação dizia respeito a uma pessoa tão próxima.
“ Não era uma amiga me dizendo que é gay, era a minha filha” , afirmou.
A partir daí, a escritora passou a conversar com Ana sobre os riscos de viver como uma mulher lésbica em um país que considera “conservador, preconceituoso e violento” .
A convivência com a filha, sua companheira e as amigas das duas também aproximou Carla de relatos de rejeição familiar e violência , um tema recorrente em suas obras.
“Não foi uma coisa de ‘ah, vou escrever sobre homofobia’.
Estou imersa nisso e, hoje, é uma coisa que me afeta” , disse.
Uma autora que não quer escrever para agradar Nascida em Belo Horizonte, Carla Madeira é jornalista, publicitária e escritora.
Antes de conquistar leitores em todo o país, construiu uma carreira na área de comunicação e, em 1987, fundou a agência Lápis Raro, em Minas Gerais, onde atuou como diretora de criação.
Seu primeiro romance, “Tudo é Rio”, foi publicado em 2014.
Vieram depois “A Natureza da Mordida”, em 2018, e “Véspera”, em 2021.
O sucesso de “Tudo é Rio”, porém, foi o que colocou seu nome entre os grandes fenômenos editoriais brasileiros recentes.
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