O protecionismo que vai encolher a indústria que diz defender
Em 2026, o investimento global em infraestrutura de inteligência artificial deve se aproximar de US$ 1 trilhão, segundo estimativa do Goldman Sachs.
Apenas as cinco maiores empresas de nuvem devem aportar mais de US$ 600 bilhões no ano.
É um ciclo de capital que, em proporção do PIB, rivaliza com os grandes projetos de infraestrutura do século XX.
Esse dinheiro está sendo alocado agora, país por país, e não vai esperar o Brasil.
E o Brasil tem o que quase ninguém tem: energia limpa, renovável e abundante a custo globalmente competitivo; um sistema elétrico robusto e interligado nacionalmente; conectividade densa e cabos submarinos que nos ligam à Europa e às Américas; posição geográfica privilegiada; estabilidade política; neutralidade geopolítica; ausência de terremotos e furacões; e um setor de data centers já estabelecido, com know-how e histórico operacional.
Ainda assim, exportamos a nossa própria demanda.
Segundo diagnóstico do Ministério da Fazenda, cerca de 60% das cargas de dados e de IA utilizadas no país são processadas no exterior.
O déficit da balança comercial de serviços de TIC saltou de aproximadamente US$ 3 bilhões em 2021 para cerca de US$ 8 bilhões em 2025.
Não é falta de vocação.
É preço.
Implantar um data center no Brasil custa de 20% a 30% mais do que em países concorrentes, e a razão é conhecida.
A carga tributária sobre equipamentos de computação, que respondem por 60% a 80% do capex, gira em torno de 35% na média e supera 50% em alguns itens, contra 5% a 15% em mercados como o Chile.
Dentro dessa conta, o ICMS responde por cerca de dois terços.
Havia dois remédios na mesa.
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