O remédio centenário que ganhou novas indicações: para que serve a aspirina?
Ela está na bolsa, no carro, na gaveta de casa.
Antes de qualquer diagnóstico ou bula lida com atenção, a aspirina já é presença conhecida e, provavelmente, um dos medicamentos mais famosos do mundo.
E poucos sabem que, por trás desse nome familiar, existe uma substância, o ácido acetilsalicílico (AAS), capaz de atuar não apenas no alívio de uma dor de cabeça , mas até na prevenção de eventos cardiovasculares .
Da árvore ao laboratório A relação da aspirina com uma árvore é de parentesco, não de ingrediente: a casca do salgueiro contém salicina, substância que o corpo converte em ácido salicílico, composto que décadas depois inspiraria o medicamento moderno.
Preparações à base de salgueiro já eram usadas na antiguidade, e Hipócrates descreveu seu uso medicinal há mais de 2 mil anos.
O problema é que o ácido salicílico puro é agressivo para o estômago, e até o fim do século 19 essa era uma das duas alternativas disponíveis para tratar dor, ao lado da morfina, isolada do ópio em 1804 e cada vez mais associada à dependência.
Aqui, uma aliviava o corpo, mas corroía o estômago; a outra aliviava a dor, mas viciava.
Foi tentando contornar justamente esse efeito agressivo do ácido salicílico que o químico alemão Felix Hoffmann, em 1897, conseguiu isolar uma versão modificada e mais estável da substância: o ácido acetilsalicílico.
Ele trabalhava na Bayer, companhia química alemã fundada em 1863, que até então fabricava sobretudo corantes sintéticos e ampliaria sua projeção no mercado farmacêutico com a descoberta.
Em 1899, a substância virou produto comercial, vendida em pó e, a partir de 1900, teve sua versão em comprimido, um dos primeiros medicamentos de uso geral nesse formato, facilitando a administração sem a necessidade de preparo por um médico ou farmacêutico.
Hoje, a aspirina integra a Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS) tanto como analgésico quanto como protetor cardiovascular , combinação rara entre os fármacos.
Um mecanismo, dois efeitos Até 1971, a aspirina era amplamente usada sem que seu mecanismo de ação estivesse completamente esclarecido.
Isso era mais comum na época, quando os mecanismos de ação dos medicamentos ainda eram pouco compreendidos.
Foi nesse ano que o farmacologista britânico John Vane demonstrou que a aspirina bloqueava a produção de prostaglandinas, descoberta que lhe renderia, ao lado dos suecos Sune Bergström e Bengt Samuelsson, o Nobel de Medicina de 1982.
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