Diretrizes atualizadas mudam conduta e desestimulam uso preventivo de hormônio em parte das gestantes
As principais entidades médicas do país passaram a recomendar mudanças no tratamento de alterações da tireoide durante a gestação .
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia orientam que gestantes com anticorpos tireoidianos positivos (anti-TPO), mas com função normal da glândula, não devem mais usar hormônio preventivamente.
A atualização segue a nova diretriz da Associação Americana da Tireoide e foi apresentada durante o Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia.
Estudos recentes indicam que o uso da levotiroxina nesses casos não reduz o risco de aborto ou parto prematuro.
Monitoramento continua Segundo o endocrinologista Cleo Mesa Júnior, o anticorpo positivo indica apenas predisposição.
“Se os hormônios estão normais, não há benefício em tratar preventivamente”, explica.
Ainda assim, essas gestantes devem ser acompanhadas, pois há risco maior de desenvolver hipotireoidismo ao longo da gravidez.
Para mulheres que já tinham a doença antes de engravidar, a orientação de aumentar a dose do hormônio é mantida.
Outras mudanças O Brasil continuará recomendando rastreamento precoce para todas as gestantes, diferentemente da diretriz internacional, que sugere testagem apenas em grupos de risco.
Também houve ajuste no manejo do hipotireoidismo subclínico: o tratamento passa a ser priorizado no primeiro trimestre.
Após esse período, a tendência é apenas monitorar, salvo casos mais graves.
Já a suplementação de iodo não será universal e deve ser indicada de forma individual, conforme a dieta e o risco de deficiência.
As novas recomendações reforçam a busca por um pré-natal mais preciso, com menos intervenções desnecessárias e foco em quem realmente precisa de tratamento.
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