Família compra casa com muro antigo, constrói churrasqueira e lavanderia encostadas nele e ao substituir o muro, descobre que o muro pertencia, na verdade ao vizinho
Veja quando uma família pode apoiar obras em uma parede que não lhe pertence
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A família acreditou que o muro antigo marcava a divisa e poderia ser utilizado como apoio para a churrasqueira e a lavanderia. Quando a estrutura precisou ser substituída, um levantamento mostrou que ela estava inteiramente dentro do terreno vizinho. O caso passou a envolver direito de vizinhança , propriedade do muro e responsabilidade pelas obras anexadas.
O Código Civil estabelece uma presunção de que muros, cercas e outros tapumes divisórios pertencem aos dois proprietários confinantes. Essa presunção admite prova contrária. Se o muro foi construído inteiramente dentro de um dos lotes, com fundações e espessura ocupando apenas aquele terreno, ele pode pertencer exclusivamente ao respectivo proprietário.
A posição visual da parede não basta para definir a titularidade. Em construções antigas, a cerca anterior pode ter desaparecido, a divisa pode ter sido deslocada ou o muro pode ter sido recuado voluntariamente por seu dono. Matrículas, plantas, medidas e vestígios das fundações ajudam a esclarecer a situação.
Antes de demolir ou reconstruir a parede, os proprietários devem identificar a linha divisória e registrar as condições existentes. Os principais elementos para essa verificação incluem:
Se a parede estiver sobre a linha divisória, pode ser tratada como muro comum. Se estiver totalmente no lote vizinho, a família não adquire direito de uso apenas porque comprou a casa com a churrasqueira já planejada ou porque o antigo proprietário afirmava que o muro fazia parte do imóvel.
Mesmo quando existe parede-meia, o condômino somente pode utilizá-la até metade da espessura, sem comprometer a segurança ou a separação dos imóveis e com aviso prévio sobre a intervenção. Alguns cuidados precisam ser observados:
O Código Civil proíbe encostar na parede divisória equipamentos ou depósitos capazes de produzir infiltrações e interferências prejudiciais. A churrasqueira ainda pode gerar fumaça, fuligem e aquecimento, enquanto a lavanderia pode causar umidade. Esses efeitos devem ser eliminados independentemente da discussão sobre a titularidade do muro.
Se a parede for exclusiva, o vizinho pode exigir a retirada dos apoios que impedem sua reforma, desde que a intervenção respeite a segurança das duas casas. A família não pode obrigá-lo a conservar indefinidamente uma estrutura particular apenas porque construiu dependências apoiadas nela sem confirmar a divisa.
Uma avaliação de engenharia deve definir como remover ou sustentar provisoriamente telhado, bancada e instalações. Se a substituição causar risco de queda, infiltração ou perda de estabilidade, podem ser exigidos escoramento e outras medidas preventivas. Danos provocados durante a obra podem gerar obrigação de reparação.
A alternativa mais segura costuma ser construir uma parede própria dentro do lote da família, com fundação, cobertura e instalações independentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.