Cientistas descobrem por que presa de narvais é reta, e não curva como a de elefantes
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Na Idade Média, as presas dos narvais eram vendidas como chifres de unicórnio dotados de poderes mágicos, como neutralizar venenos e curar doenças. É claro que essas estruturas não tinham nenhum desses poderes, mas, ainda hoje, continuam envoltas em mistério.
Em um estudo publicado na última terça (18) na revista científica Nature Communications , pesquisadores sugerem uma explicação para a estrutura interna dessas presas em forma de espiral.
A estrutura é um dente reto e alongado que se projeta para fora da boca do narval. Às vezes, ela atinge até três metros de comprimento.
Os autores do estudo recorreram a avançadas técnicas de imagens tridimensionais por raios X para decifrá-la.
Eles chegaram à conclusão de que a parte externa da presa, formada pelo tecido dentário chamado cemento, apresenta uma espiral orientada para a esquerda. Já o interior da estrutura, composto do tecido dentário intitulado dentina, exibe uma espiral orientada para a direita.
"Propomos que essa estrutura ajude a presa a crescer reta, ao contrário de outras presas —como as de elefantes ou morsas, por exemplo—, que são curvas", disse o químico de materiais Henrik Birkedal, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca , coautor do novo estudo.
A grande maioria dos narvais machos e uma pequena parcela das fêmeas têm uma dessas presas —alguns machos chegam a ter duas. Sua finalidade ainda não está clara.
"A presa pode ter várias funções. Elas parecem servir para estabelecer a hierarquia social entre os machos e, portanto, constituem uma característica selecionada sexualmente e usada em disputas entre eles. Também já se sugeriu que possa servir para brincadeiras e como órgão sensorial", afirmou o químico.
Os narvais podem atingir cinco metros de comprimento. Os espécimes habitam as águas gélidas do oceano Ártico, principalmente nas proximidades do Canadá , da Groenlândia , da Noruega e da Rússia . Alimentam-se de peixes, lulas e camarões.
A tonalidade desses animais muda conforme envelhecem. Eles nascem com uma tonalidade azul-acinzentada, que na juventude se torna azul-escura, quase preta. Na idade adulta, passam para cinza. E, na velhice, ficam quase totalmente brancos.
A estrutura da presa resulta da disposição do colágeno mineralizado —uma proteína importante nos ossos, dentes e na pele— em nível microscópico, em fibras chamadas fibrilas.
"As fibrilas são resistentes e flexíveis", disse Birkedal. "Na presa do narval, assim como em nossos dentes e ossos, as fibrilas de colágeno são reforçadas por nanopartículas de um mineral à base de cálcio, formando o que chamamos de material compósito resistente."
"As fibrilas de colágeno estão alinhadas quase paralelamente ao eixo longitudinal da presa", continuou o químico. "No entanto, elas se desviam sistematicamente para formar dois padrões helicoidais [semelhantes a uma hélice], um no cemento e outro na dentina, com sentidos de rotação opostos."
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.