Brasil vê disparada na apreensão de 'maconha gourmet' produzida nos EUA
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A apreensão no Brasil de maconha procedente dos Estados Unidos cresceu e, nos primeiros sete meses de 2026, já supera o volume registrado durante todo o ano passado, segundo dados da Polícia Federal .
As apreensões de produtos vindos dos EUA passaram de 236,39 kg em 2024 para 664,74 kg em 2025. Entre janeiro e julho deste ano, o volume chegou a 897,66 kg, alta de 35% em relação a todo o ano passado.
Com o Canadá , que passou a aparecer com maior peso nas apreensões a partir de 2025, o volume procedente dos dois países chegou a 1,032 tonelada nos primeiros sete meses de 2026, ante 1,016 tonelada no total do ano passado.
Segundo investigadores da Polícia Federal, o avanço da maconha com origem na América do Norte está ligado ao alto valor comercial devido a maior concentração de THC —principal componente psicoativo da droga— e à facilidade de transporte em cargas menores.
Conhecido como "maconha gourmet", o produto pode alcançar preço por quilo próximo ao da cocaína e, em alguns casos até o superar.
Enquanto a maconha prensada tradicionalmente vinda do Paraguai apresenta entre 2% e 8% de THC, flores produzidas na América do Norte podem chegar a 30%, ainda de acordo com investigadores. Em produtos concentrados, o teor pode superar 50%.
A maior concentração também muda a logística do tráfico. Em vez de transportar toneladas de maconha prensada, organizações criminosas podem movimentar cargas menores e de maior valor, com retorno financeiro semelhante e menor custo de transporte.
Investigadores atribuem essa diferença no THC ao desenvolvimento da indústria legal de Cannabis nos Estados Unidos e no Canadá, que impulsionou investimentos em melhoramento genético, seleção de sementes e técnicas mais sofisticadas de cultivo.
Segundo investigadores, organizações criminosas passaram a incorporar esses avanços tecnológicos ao mercado ilegal, tanto por meio do acesso a produtos de maior potência quanto a técnicas mais sofisticadas de cultivo.
A maconha produzida na América do Norte chega ao Brasil principalmente por remessas postais e passageiros usados como mulas. Nas encomendas, a droga costuma ser camuflada em embalagens de suplementos e outros produtos.
Os aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, Confins, em Minas Gerais, e Galeão, no Rio de Janeiro , estão entre os principais pontos de entrada identificados.
Há também rotas indiretas, com o Paraguai —maior fornecedor de maconha prensada— funcionando como entreposto para cargas originárias de outros países, inclusive dos EUA.
Recentemente, autoridades paraguaias apreenderam 311 kg de maconha em uma carga procedente dos EUA que, segundo as investigações, tinha o Brasil como destino.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.