Lula e a bala de prata
a-Porque o seu governo não é bem avaliado (Ótimo/Bom: 35%; Regular: 24%; Ruim/Péssimo: 41%, pelo Datafolha) e desde 1994 ninguém venceu tendo a reprovação maior do que a aprovação.
Itamar, bem-avaliado, elegeu FHC, que se reelegeu; mas, estando este mal avaliado, não fez o sucessor pretendido (Serra).
Lula venceu em 2002, reelegeu-se em 2006, fez a sucessora que também se reelegeu, mesmo que com aperto; numa sequência de governos em essência bem-avaliados.
Bolsonaro não se reelegeu por muitos erros próprios; e olha que a sua aprovação (38%) quase empatava com a reprovação (39%).
Governantes mal avaliados, mostra a experiência, têm dificuldade para se reeleger, embora isso aconteça. b-Devido à falta em seu mandato de “visão de futuro” que engaje os jovens.
No mundo todo a juventude está tendo uma vida dura.
E lhe espera, à medida em que envelheçam, um futuro amargo.
No Brasil não é diferente: essas pessoas que estão no começo de suas vidas adultas não enxergam soluções vindas de Lula.
Agrave essa situação com a proposta (correta, mas atabalhoada) de proibir as bets, fonte de esperança de muitos deles, e está montado um cenário ruim, pois jovens sem esperança são em todo o planeta a porta de entrada do nazifascismo no comando das nações. c-O envelhecimento e a falta de aggiornamento do PT.
Esses e essas petistas que estão aí faz mais de quarenta anos já cansaram até a base social do partido.
Ou alguém tem dúvida de que dirigentes de setenta anos não são os melhores meios de convencimento e mobilização dos jovens? De que, tirando as boas exceções, o partido tem grande dificuldade de se comunicar com quem tem menos de 35 anos e está fora de sua bolha ideológica? Dito isso, vamos à boa notícia: dado a pouca distância entre Flávio (47%) e Lula (45%) no primeiro turno, 1,87 ponto percentual, é possível virar o jogo (deixe de lado as pesquisas iniciais já feitas; ainda e cedo para medir o efeito das campanhas de segundo turno).
Como? Ao contrário do que o título desta coluna insinua, não existe uma “bala de prata”.
E Flávio Bolsonaro não vai cair sozinho, apenas com o peso de seus vícios, defeitos e crueldades já prometidas contra os mais indefesos.
É necessária uma combinação de vários acertos num prazo curtíssimo (por exemplo: não dá para deixar Geraldo Alckmin sem um papel relevante no comando da campanha).
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