Guerra comercial com Canadá ameaça encarecer a ida ao banheiro nos EUA
Após o acordo comercial entre os Estados Unidos e o Canadá ir pelo ralo na semana passada, americanos podem passar a pagar mais caro para ir ao banheiro.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney , anunciou que vai igualar as tarifas do governo do presidente Donald Trump “dólar por dólar”, revelando uma lista de mais de 700 mercadorias importadas do vizinho que estarão sujeitos a taxas de 15% a 50% a partir de 8 de setembro — entre o principal deles, o papel higiênico .
Os Estados Unidos importaram US$ 328 milhões (quase R$ 1,7 bilhão) em papel higiênico do Canadá em 2024, segundo o Banco Mundial, o que faz do país, de longe, o maior exportador do produto para os americanos.
Grandes varejistas como a Costco obtêm grande parte de seus produtos de papel no país.
Tem tudo para ser um baque explosivo.
Os Estados Unidos são responsáveis por mais de 20% do consumo global de papel higiênico, apesar de terem apenas 4% da população mundial.
O americano médio usa 141 rolos por ano , ocupando o primeiro lugar no pódio, logo à frente dos alemães (134 rolos).
A vida pode ficar mais cara para os americanos em outros setores para além do banheiro.
A retaliação canadense abrange aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 103,7 bilhões) em produtos importados dos Estados Unidos: aço e alumínio americanos serão taxados em 50%, enquanto eletrodomésticos, ferramentas, produtos florestais, equipamentos ferroviários e pescados também entraram na lista.
Continua após a publicidade O governo Trump, contudo, insiste que “não há nenhuma possibilidade” de que a disputa comercial seja sentida pelos consumidores.
“Os fundamentos são bons”, disse Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.
“Não acho que isso vá afetar nada.” Continua após a publicidade Negociações desandaram A reação de Carney veio após negociações promissoras sobre um acordo comercial para suspender o tarifaço de Trump serem interrompidas na sexta-feira passada.
De acordo com o primeiro-ministro, ele simplesmente não poderia assinar um “acordo ruim”, que, segundo o jornal americano The New York Times , incluía disposições como a exigência de que Ottawa acompanhasse a política comercial de Washington para com outros países — algo que, de acordo com a administração de Carney, ameaçaria a soberania do Canadá em meio a tratativas com seus próprios parceiros, como o Brasil.
Outro ponto de atrito foi a demanda de Washington pelo cancelamento de um programa criado para apoiar indústrias afetadas pelo tarifaço, conhecido como “Buy Canadian”, que orienta agências do governo a priorizarem a aquisição de produtos nacionais para projetos do setor público — como comprar aço canadense para a construção de uma ponte.
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