Plano de Riedel quer trocar incentivo fiscal por pagamento ambiental
O coordenador do plano de governo de Eduardo Riedel, Artur Falcette, admite que a expansão econômica de Mato Grosso do Sul produz impactos ambientais e sociais, mas rejeita a ideia de que isso coloque desenvolvimento e preservação em campos opostos.
Para ele, o desafio do próximo governo é reconhecer os efeitos dos grandes investimentos, mitigá-los com base em ciência e, ao mesmo tempo, garantir que a atividade econômica continue transformando regiões historicamente pobres do Estado.
“Não existe atividade humana que não gere impacto”, afirma Falcette, referindo-se aos efeitos colaterais dos grandes empreendimentos.
Na avaliação dele, fingir que os impactos não existem em regiões como o Vale da Celulose seria uma forma de comprometer os próprios projetos no futuro.
“A gente precisa reconhecer esse impacto e entender como se faz para mitigar.
O papel do Estado é esse.” A formulação resume uma das principais premissas que devem orientar o plano de governo de Riedel: desenvolvimento econômico e preservação ambiental não são agendas concorrentes, mas complementares.
Falcette usa a própria estrutura da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), da qual é titular, como exemplo dessa concepção.
Ao reunir na mesma pasta áreas que tradicionalmente aparecem separadas em outros governos, MS teria, segundo ele, uma estrutura institucional desenhada para evitar que desenvolvimento e proteção ambiental produzam diretrizes conflitantes.
Na avaliação do secretário, a presença da ciência e tecnologia na mesma estrutura é justamente o elemento que permite aproximar as duas agendas.
A conciliação, afirma, precisa partir do conhecimento produzido pela academia e da capacidade de transformar esse conhecimento em política pública.
Cálculo ambiental - Ele defende que os recursos naturais passem a ter valor econômico reconhecido e mensurado.
Para o coordenador do plano de Riedel, tratar água, solo, biodiversidade e outros recursos como se fossem gratuitos cria uma lógica de uso irresponsável.
“Esse valor precisa ser mensurado e reconhecido e tem que vir para a equação econômica”, afirma.
Em vez de apenas calcular o que a sociedade perde ou precisa reparar, o secretário diz que é necessário criar mecanismos para que o patrimônio ambiental também seja reconhecido como ativo capaz de gerar recursos para sua própria conservação.
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