Cientistas chineses revelam o mapa mais completo já feito da Lua: 13.519 crateras mapeadas
Um novo mapa geológico da Lua, com escala de 1:5.000.000, foi apresentado na China, reunindo um dos retratos mais completos já produzidos sobre a superfície lunar e sua evolução geológica ao longo de bilhões de anos.
O documento mede aproximadamente 2,8 metros de comprimento por 1,2 metro de altura.
As informações são do jornal Global Times.
O mapa foi elaborado pelo Instituto de Geologia da Academia Chinesa de Ciências Geológicas (CAGS), em parceria com o Instituto de Geoquímica da Academia Chinesa de Ciências, a Universidade Jilin, a Universidade Shandong e a Universidade de Geociências da China (Pequim).
O material identifica 13.519 crateras de impacto, 81 bacias de impacto, 14 tipos de estruturas geológicas e 17 tipos de rochas, além de trazer mapas detalhados dos polos norte e sul lunares.
O projeto incorpora dados recentes do programa de exploração lunar Chang’e.
Segundo os pesquisadores, o mapa recalibra marcos importantes da cronologia geológica da Lua, atualiza a distribuição de tipos de rochas relevantes e propõe uma nova estrutura para interpretar a evolução do satélite.
De acordo com Ding Xiaozhong, pesquisador do Instituto de Geologia da CAGS e um dos integrantes centrais da equipe responsável pelo mapeamento, as missões Chang’e-5 e Chang’e-6 trouxeram à Terra amostras do lado próximo e do lado distante da Lua, o que teria alterado significativamente a compreensão científica sobre sua evolução.
As análises dessas amostras indicaram que a atividade vulcânica na Lua persistiu até cerca de 2 bilhões de anos atrás — aproximadamente um bilhão de anos a mais do que se pensava anteriormente.
Com base nesse novo marco temporal, a equipe dividiu o período Eratosteniano em duas fases, inicial e tardia, sendo esta a primeira vez que uma fronteira cronológica obtida a partir de amostras coletadas de forma independente pela China é incorporada a um mapa geológico lunar chinês.
A equipe também revisou as idades iniciais de períodos lunares antigos: o Aitkeniano foi ajustado para cerca de 4,33 bilhões de anos; o Nectariano, para 4,17 bilhões de anos; e o Imbriano, para 3,92 bilhões de anos.
Outra atualização relevante diz respeito à gabronorita, rocha identificada na Bacia Polo Sul-Aitken com o apoio de dados das missões Chang’e-4 e Chang’e-6.
O mapa também revisou a distribuição do KREEP, componente geoquímico rico em potássio, elementos de terras raras e fósforo, apontando uma dispersão mais ampla do que se supunha anteriormente.
Mapa mais aprofundado da Lua até o momento (Foto: ACS) Segundo Jin Ming, pesquisador associado do Instituto de Geologia da CAGS, o projeto também estabelece um padrão chinês para mapeamento geológico planetário, com símbolos, legendas e sistema de cores certificados como norma de grupo pela Sociedade Geológica da China.
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