Argentina de Milei: inflação acumulada em três anos supera 300% e seria pior sem mudança na contabilidade
Um levantamento da consultoria argentina Qualy estima que a inflação acumulada durante o governo do presidente argentino Javier Milei teria sido 15,5 pontos percentuais maior caso o instituto oficial de estatísticas do país, o INDEC (equivalente ao IBGE no Brasil), tivesse adotado a nova forma de calcular os preços que estava planejada para começar em janeiro de 2026.
O índice de preços ao consumidor (IPC) é o indicador usado para medir a inflação, ou seja, o quanto os preços de produtos e serviços sobem ao longo do tempo.
Para calculá-lo, o instituto usa uma “cesta” de itens de consumo, cada um com um peso diferente dentro do cálculo, de acordo com o quanto as famílias costumam gastar com ele.
Atualmente, o INDEC ainda usa pesos definidos por uma pesquisa de gastos das famílias realizada em 2004/2005 — dados considerados desatualizados.
Segundo o exercício da Qualy, se o INDEC tivesse passado a usar pesos mais recentes, baseados em uma pesquisa de 2017/2018, a inflação acumulada entre dezembro de 2023 e julho de 2026 teria sido de 344,3%, e não os 328,8% divulgados oficialmente.
A atualização metodológica havia sido anunciada pelo próprio INDEC em outubro de 2025, mas foi suspensa pelo governo no início de fevereiro, pouco antes de entrar em vigor.
A decisão levou à renúncia de Marco Lavagna, então à frente do instituto.
O ministro da Economia, Luis Caputo, defendeu a manutenção do índice antigo: “Nossa visão é que não é necessário mudar o índice agora.
Na verdade, dá praticamente no mesmo”.
De acordo com a Qualy, a principal diferença entre as duas metodologias está no peso atribuído aos serviços — como aluguéis, transporte e tarifas —, que teve aumentos expressivos durante o governo Milei.
A consultoria afirma que “a cesta atualizada dá uma incidência significativamente maior ao bloco de Serviços sobre o índice geral”.
Como exemplo, no mês de julho, a diferença entre os dois cálculos foi pequena: 2,11% pelo índice oficial contra 2,14% pela metodologia atualizada.
Apesar disso, a consultoria destaca que diferenças pequenas, quando acumuladas mês a mês por mais de dois anos, resultam em uma distância expressiva entre os dois números finais.
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