Análise: Eleições e cenário fiscal afastam investidor estrangeiro
A proximidade das eleições e o cenário de juros elevados estão mudando a percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil.
Neste mês, a bolsa já registrou uma saída de cerca de R$ 18 bilhões em capital estrangeiro até a última sexta-feira (14), configurando o pior mês em termos de fluxo estrangeiro na B3 desde o início do ano até o momento.
A editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, comenta o tema ao Hora H .
Segundo Lucinda, o saldo acumulado no ano ainda permanece positivo, mas está diminuindo de forma acelerada.
“Olhando para frente, a gente não vê razões para esse cenário se inverter tão cedo”, afirmou.
Empresas endividadas e mercado de crédito privado sob pressão O movimento de cautela dos investidores não se restringe à bolsa de valores.
Lucinda Pinto destacou que títulos de dívida privada emitidos no exterior por empresas brasileiras também estão sofrendo desvalorização no mercado secundário, inclusive papéis de companhias com a nota máxima de rating permitida para empresas do país.
Leia Mais Estrangeiros retiram quase R$ 10 bi da Bolsa diante de guerra e inflação Entrada estrangeira na B3 despenca 88% desde recorde em janeiro Junho tem 2º mês de saída de estrangeiros da Bolsa; ano segue positivo “O investidor estrangeiro não dá mais o benefício da dúvida para as companhias brasileiras porque ele tomou muitos sustos, ele perdeu dinheiro na reestruturação da dívida de grandes empresas que também eram bem avaliadas”, explicou a analista.
Casos recentes de empresas em dificuldades financeiras, como Casas Bahia, que entrou em recuperação judicial, além de Raiz e Braskem, que também enfrentam crises, contribuíram para aumentar a desconfiança dos investidores estrangeiros .
A analista ressaltou que a situação reflete o estouro de um quadro crítico de companhias que vêm carregando alta alavancagem há muito tempo.
Cenário macroeconômico e incerteza eleitoral pesam sobre o humor do mercado Além das dificuldades específicas das empresas, o ambiente macroeconômico agrava o quadro.
Lucinda Pinto apontou que a combinação de juros que devem cair pouco, perspectiva de desaceleração da atividade econômica no próximo ano e incerteza sobre o cenário fiscal pós-eleitoral mantém os investidores na defensiva.
“A gente não sabe o que vai acontecer no ano que vem, a gente não sabe que programa fiscal nós vamos ter .
Tudo isso deixa o investidor na retranca”, disse.
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