Devastados pela guerra, governantes do Irã temem mais dificuldades econômicas e agitação social caso EUA intensifiquem pressão
DUBAI, 17 Ago (Reuters) - Mesmo enquanto o Irã demonstra resiliência na guerra com os Estados Unidos, seus líderes temem que a ameaça de novas sanções econômicas por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, possa agravar as dificuldades, reacender a agitação social e minar ainda mais a legitimidade da República Islâmica.
O presidente dos EUA prometeu na sexta-feira atingir duramente o Irã economicamente, um dia depois que o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que Washington imporia a Teerã medidas “sem precedentes” já na próxima semana. Washington ainda não revelou em que consistirão essas medidas.
Apesar de toda a bravata dos líderes iranianos após resistirem a quase seis meses de conflito e fecharem efetivamente o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo, eles enfrentam uma pressão crescente no país que pode resultar em agitação em todo o território nacional, segundo três autoridades iranianas.
As autoridades, dois especialistas em política, um ex-funcionário iraniano e vários iranianos comuns conversaram com a Reuters para esta reportagem sob condição de anonimato, seja por medo de retaliação, seja porque não estão autorizados a falar com a mídia.
O Irã entrou na guerra com alta inflação, moeda enfraquecida, escassez de energia, sanções e profundas fragilidades estruturais, e agora precisa lidar com infraestrutura danificada, comércio interrompido, perda de produção e o custo da reconstrução.
Arshia, engenheiro civil, passou uma década trabalhando no setor de construção civil do Irã antes que a guerra — que começou com os ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro — paralisasse praticamente todos os projetos.
Ele agora enfrenta dificuldades para encontrar trabalho, já que os projetos estão atrasados ou cancelados e os custos disparam, com poucas perspectivas de uma recuperação rápida.
“Estou preocupado. Se Trump impuser mais sanções, como as pessoas comuns vão sobreviver? Não quero que meu país seja punido militar ou economicamente. Já estamos passando por dificuldades”, disse o pai de dois filhos, morador da cidade de Isfahan, na região central do país.
Sua situação reflete uma realidade mais ampla em todo o Irã, onde os ataques dos EUA danificaram fábricas, usinas de energia, redes de transporte e outras infraestruturas essenciais, aumentando a pressão sobre uma economia já sobrecarregada.
Mohsen, de 53 anos, foi forçado a fechar sua pequena empresa de importação e exportação com os países do Golfo Pérsico depois que o Irã retaliou os ataques dos EUA atacando bases e ativos norte-americanos na região.
“Tive que demitir 10 funcionários. Foi doloroso, mas não tive escolha. Não tinha mais condições de pagar os salários deles e agora estou contando com minhas economias para sustentar minha família”, disse ele da cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país.
A taxa de inflação anual do Irã chegou a 66% em julho, enquanto os preços ao consumidor estavam 87,9% mais altos do que no ano anterior, de acordo com o Centro de Estatística do Irã.
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