Tota Magalhães: “É uma batalha constante”
Como foi disputar pela segunda vez o Tour de France, uma das competições mais importantes do calendário do ciclismo do mundo, sendo a primeira e única brasileira no pelotão? O Tour estoura a bolha do ciclismo, é outro nível de pressão.
No resto do ano corremos a uns 45 quilômetros por hora em média; lá, o pelotão anda a 50 quilômetros por hora o tempo todo.
Ser a única brasileira mexe com várias coisas: tenho muito orgulho, brinco até com as europeias que hoje em dia está na moda ser do Brasil, e o carinho que recebo é enorme.
Mas dói um pouco também: nosso país é gigante e, quando vejo países como a Holanda com tantos atletas na elite, penso em quanto talento a gente perde por falta de estrutura e de segurança para pedalar.
Sua carreira se iniciou no futebol.
Por que mudou? Joguei futebol a sério até 16 anos, passei por surfe, tênis, balé.
Minha família sempre pedalou por lazer, temos até uma pedalada tradicional no Natal até o Cristo Redentor.
Quando decidi que futebol não era para mim, fui atrás do ciclismo.
O empurrão veio do técnico de vôlei Bernardinho: fomos de carro para uma prova e ele perguntou meus planos.
Falei do meu medo de mergulhar de cabeça e não dar certo.
Ele me olhou e disse que nenhuma faculdade ensina o que só o esporte ensina.
A ida para a equipe Movistar é como jogar num gigante europeu do futebol? É exatamente essa sensação.
Estar na Movistar é como jogar no Real Madrid.
Numa corrida como o Tour, a equipe leva de vinte a 25 pessoas de apoio: ônibus, caminhão de equipamento, cozinha móvel com chef próprio.
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