BC está preocupado com ofertas 'agressivas e predatórias' de crédito, diz Galípolo
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC) Raphael Ribeiro/Banco Central O presidente do Banco Central do Brasil(BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (24) que a instituição está preocupada com ofertas de crédito consideradas "agressivas ou predatórias", ofertas de empréstimos e financiamentos que podem levar o consumidor a assumir dívidas caras ou maiores do que consegue pagar.
Segundo ele, o consumidor muitas vezes olha principalmente se a parcela cabe no orçamento, sem avaliar o custo total da dívida e os juros cobrados. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Galípolo defendeu medidas para aumentar a transparência e a conscientização na contratação de empréstimos e financiamentos, além de mudanças na experiência de contratação que deem ao consumidor mais tempo e informações para avaliar o compromisso financeiro.
"Você tem um problema de design.
A gente vê que parte da população está olhando para aquilo ali com um processo de 'qual é o valor da prestação que eu consigo pagar?', muito mais do que qual é a taxa de juros", afirmou durante coletiva sobre o Relatório de Política Monetária.
Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 Segundo Galípolo, entre os cerca de 100 milhões de brasileiros com dívidas no cartão de crédito, aproximadamente metade está sujeita a taxas próximas de 15% ao mês e tem uma parcela significativa da renda comprometida com essas dívidas.
Nesse cenário, afirmou, o consumidor tende a se preocupar mais com o valor da prestação que cabe no orçamento do que com o tamanho dos juros cobrados.
"Por isso que, quando eu citei aqui no início, eu citei medidas de mais consciência e medidas que estão relacionadas a você criar algum atrito na experiência para você ter consciência, prevenção e combate a esse crédito que a gente chama aqui de predatório ou um crédito bastante agressivo", disse.
Cartão de crédito como o 'vilão do endividamento' Atualmente, o cartão de crédito é uma das principais modalidades associadas ao endividamento das famílias.
Um dos pontos de atenção é o crédito rotativo, usado quando o consumidor não paga o valor total da fatura.
Em janeiro, os juros dessa modalidade chegaram a 425% ao ano, segundo o Banco Central.
Em 12 meses até janeiro, o saldo do crédito rotativo cresceu 31%, para R$ 84,8 bilhões.
Foi o maior crescimento entre as modalidades de crédito livre para pessoas físicas no período.
Enquanto isso, endividamento também atingiu níveis recordes.
Em fevereiro, as famílias comprometiam quase 30% da renda mensal com o pagamento de dívidas, segundo o Banco Central.
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