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Antibolsonarismo 2 x 0 Antipetismo

UOL Notícias ·
Antibolsonarismo 2 x 0 Antipetismo

Tem eleitor que vota a favor de alguém. E tem eleitor que vota contra, decidindo isso na fila da seção, entre o cafezinho e a mensagem da tia no grupo da família, e não avisa instituto de pesquisa nenhum. Esse segundo tipo não aparece necessariamente nos gráficos, mas na urna. E ajudou a decidir as duas metades da eleição de 2026.

Comecemos pelo primeiro turno. Flávio chegou na frente, com 47% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões de votos, enquanto Lula ficou com 45%, o equivalente a 53,8 milhões. Pouco antes, o cenário era outro: no Datafolha divulgado um dia antes, Lula aparecia com 45% no primeiro turno, contra 42% de Flávio.

O que aconteceu no meio do caminho tem nome e sobrenome: voto útil. Na reta final, parte dos eleitores de Ronaldo Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury migrou para Flávio. E não foi só o eleitor comum. Candidatos do próprio Novo passaram a anunciar voto em Flávio em vez de Zema já no primeiro turno.

Não é amor por Flávio, mas antipetismo de chegada. Ninguém se apaixonou pelo candidato, ele foi o guarda-chuva disponível quando começou a chover vermelho. Não à toa, os outros candidatos da direita tinham votação similar à de Flávio no segundo turno contra Lula.

Só que ganhar com o antipetismo tem um problema estrutural: só funciona plenamente quando o adversário assusta menos que o PT. Mas aí chegou o dia 25.

Lula obteve 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos; a chapa de Flávio recebeu 59.826.041, ou 48,21%. Entre um turno e outro, Lula ganhou mais de 10 milhões de votos. Flávio, menos de 4 milhões. A abstenção no segundo turno foi a menor desde 2006, mostrando que funcionou o pedido para que eleitores do petista trouxessem quem não havia votado. Ou o medo de que o filho de Jair, uma vez eleito, colocasse proteções sociais em risco. Isso sem contar votos que, antes, eram de Flávio e passaram para Lula após propagandas, debates e sabatinas revelando quem ele era.

Esse é o antibolsonarista de chegada. Ele pode não gostar do atual governo, reclamar do preço da carne, achar que o PT já deu o que tinha de dar. Mas, quando a escolha virou binária, ele olhou para a família Bolsonaro de volta ao Planalto e lembrou de coisas. Lembrou, por exemplo, que o patriarca foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentar um golpe de Estado, dos 700 mil mortos da pandemia, da inflação dos alimentos. Não é pouca coisa para se esquecer em três semanas.

Dessa forma, o antibolsonarismo marca dois gols em cima do antipetismo, um com a eleição de 2022, outro na de agora.

O sobrenome que garante o piso é o mesmo que impõe o teto. Ele junta os convertidos e espanta os indecisos. E reclamar do juiz depois do apito final não vai mudar a vantagem de 4,4 milhões de votos para Lula. Flávio apelou para a metodolpogia cunhada por seu pai, acusando fraude, embora tanto sua campanha quanto a de Lula tenham pedido prorrogação da votação até às 19h. E os números mostram que apenas 35 mil votos foram computados nesse espaço de tempo extra.

Para Lula, isso também é um informacão importante. Ele foi reeleito também porque alguns milhões de brasileiros o viam como o mal menor na reta final.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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