Justiça absolve avó acusada de matar neta com bolo envenenado em MG
Uma mulher de 60 anos foi absolvida pelo Tribunal do Júri na segunda-feira (19), em São Francisco, no norte de Minas Gerais, da acusação de matar a neta Alana dos Santos Cardoso Marques, de nove anos, com um bolo envenenado . Ela também respondia pela tentativa de homicídio da irmã da menina, que passou mal após ingerir o alimento.
A defesa alegou falta de provas. O advogado Ricardo Pereira Alves afirmou que a investigação não encontrou embalagens de veneno na residência nem comprovantes de compra da substância pela acusada. A defesa também levantou a hipótese de que o alimento pudesse ter sido contaminado pelo gato da família, que morreu envenenado.
A acusada estava presa preventivamente há mais de um ano. Izabel Cardoso de Andrade foi presa em setembro de 2025 e deixou a prisão na manhã de ontem, após a expedição do alvará de soltura.
Os fatos ocorreram em julho de 2025. O Ministério Público de Minas Gerais ofereceu denúncia pelos crimes de homicídio qualificado consumado de Alana dos Santos Cardoso Marques e de tentativa de homicídio qualificado da irmã dela, que também passou mal ao ingerir o alimento.
Alana morreu após ingerir um bolo envenenado em São Francisco. A irmã dela também comeu o alimento, mas sobreviveu. Laudos periciais identificaram terbufós, substância tóxica usada na fabricação clandestina do veneno conhecido como chumbinho, no bolo e no organismo da menina.
Depois de comer, a criança teve náuseas e fortes dores abdominais . A avó disse ter feito massagem abdominal na neta com um gel para amenizar os sintomas.
Na sequência, a menina passou a expelir um líquido branco pelo nariz. Foi então que a avó ligou para pessoas próximas para pedir ajuda. Um vizinho levou a criança ao hospital da cidade, onde ela morreu.
A investigação apontou suspeitas sobre a avó, que sempre negou os crimes. "A tese de defesa foi acolhida. Nós acreditávamos plenamente na inocência e entendemos que a prisão foi injusta. Mas hoje, perante o conselho de sentença, pudemos expor nossas teses e as inconsistências no processo, como venho dizendo desde que assumimos essa defesa: avós não matam netos, amor de avó é em dobro", disse o advogado Raphael Simões de Moraes Neto à mídia local.
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