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Apoio de líderes do Centrão não garantirá governabilidade a Lula, analisa cientista político

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Apoio de líderes do Centrão não garantirá governabilidade a Lula, analisa cientista político

O xadrez político vai ficando cada vez mais definido a menos de dois meses do primeiro turno das eleições. Os últimos dias foram marcados por movimentos de partidos do Centrão que, um a um, declararam neutralidade no primeiro turno. Também pela reaproximação do presidente Lula com as atuais presidências do Congresso, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Em entrevista ao Conexão BdF , da Rádio Brasil de Fato , o cientista político Mateus de Albuquerque, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), afirma que o apoio de figuras do Centrão, como Motta e Alcolumbre, não garante governabilidade. “Isso os últimos quatro anos do governo Lula já nos mostraram”, reforça.

Para ele, “é um erro” essa recomposição da relação entre Lula e o presidente do Senado. “Esses sujeitos não estão aceitando o presidencialismo de coalização, aceitando a troca ‘compomos o governo e aí entregamos no parlamento’, e o Alcolumbre é um desses principais atores . Além disso, é um sujeito cujas denúncias de envolvimento em escândalos de corrupção não param de aparecer, o que também tende a manchar a imagem pública do governo. Um governo que, como sabemos, passou por operação Lava-Jato, Mensalão anteriormente, sempre tem na disputa do ideário público a corrupção como um nêmesis. Lula tem que sempre se afastar da ideia de que é corrupto”, analisa.

O cientista político avalia que o Congresso viverá nessas eleições uma renovação de dois terços e que a balança do campo progressista parece mais favorável diante dos últimos acontecimentos. “Os bolsonaristas tinham uma estratégia clara de colonizar o Senado para poder fazer o STF de refém. Até o momento, isso não está dando exatamente certo. Porque Flávio está mal, e queimaram a largada, anunciaram muito cedo [essa estratégia], e a esquerda conseguiu se articular para garantir vagas no Senado”, analisa.

Mateus de Albuquerque destaca que a pauta de enfrentamento da desigualdade deveria ser prioritária para qualquer governo, porém sofre reveses justamente pela composição histórica do Congresso. “A riqueza é sobrerrepresentada na política. A política é rica, porque é formada por ricos e burgueses. São sujeitos que protegem seu próprio patrimônio e o da sua rede de relações”, diz.

O cientista político afirma que é preciso pressionar nas ruas para alcançar mudanças, e exemplifica com a PEC do fim da escala 6×1 aprovada pela Câmara. “O governo não conseguiu passar isso pela sua vontade. A pauta passou porque houve uma disputa social para tal e depois o governo encampou. O que quero dizer é que esse debate passa pela mobilização da maioria, porque a minoria, que são os ricos e burgueses, já está no parlamento”, afirma.

Por essa razão, aponta Albuquerque, o governo precisa investir no relacionamento com movimentos populares. “É muito difícil que esse tipo de discussão avance sem pressão externa”, conclui.

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato , 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato .

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.

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