Anomalia no polo sul de Marte faz planeta ser mais quente em uma metade
Pesquisadores dos EUA descobriram que Marte esconde uma diferença que não pode ser vista da superfície: seu interior é muito mais quente no hemisfério sul do que no norte.
Uma nova análise indica que o manto (região interna) da região meridional do planeta pode ser entre 200°C e 400°C mais quente que a metade norte, e apresentar partes parcialmente derretidas.
A descoberta ajuda a esclarecer a história geológica de Marte e os períodos em que o planeta pode ter apresentado condições favoráveis à vida.
A pesquisa, publicada em 26 de agosto na revista Nature, foi liderada por Alexander Berne, pesquisador da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.
Para investigar o interior marciano, os cientistas recorreram a dados de gravidade coletados ao longo de décadas por três missões: Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter.
O que a gravidade revela sobre Marte O método usado pelos pesquisadores é chamado de tomografia de maré, uma técnica que aproveita pequenas variações na velocidade das espaçonaves causadas por mudanças no campo gravitacional de Marte.
Essas alterações estão relacionadas, entre outros fatores, à influência gravitacional do Sol sobre o planeta, que varia ao longo das estações por causa da órbita ligeiramente elíptica de Marte e da inclinação de seu eixo de rotação.
Ao reunir essas informações, os pesquisadores conseguiram reconstruir um modelo do interior do planeta.
Segundo Berne, os cientistas costumam considerar que o interior de corpos planetários apresenta uma estrutura aproximadamente simétrica em todas as direções.
"À medida que obtemos mais dados gravitacionais, podemos determinar as complexidades tridimensionais da estrutura interna de um planeta”, disse o pesquisador, em comunicado.
A diferença encontrada no interior também acompanha uma característica bastante evidente da superfície marciana.
O hemisfério sul de Marte é marcado por montanhas elevadas e grandes crateras, enquanto o norte é formado principalmente por regiões baixas e planas.
Agora, os pesquisadores descobriram que essa divisão entre os hemisférios também se manifesta na temperatura do interior do planeta.
Possível explicação para outros mistérios marcianos A anomalia térmica pode ajudar a explicar fenômenos já observados em Marte.
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