Palmeiras tem razões técnicas, físicas e táticas para a queda de rendimento
A entrevista coletiva do técnico do Flamengo, Leonardo Jardim, depois do empate contra o Internacional, ajuda a entender a crise do Palmeiras. Não que uma coisa tenha direta ligação com a outra, mas Jardim argumentou com razão que os dois meses sem treinar os nove convocados para a Copa do Mundo tinha grande parcela na dificuldade que o Flamengo apresentava.
Naquela época, um dia depois do empate contra o Internacional, dizia-se que Leonardo Jardim havia perdido todo o conteúdo deixado por Filipe Luís. O Flamengo passou dez dias sem jogar, venceu o Vitoria com boa atuação, e o técnico português afirmou: "Eu só tenho de acreditar no treino. Venho de campeonatos, na Europa e na Ásia, em que há tempo para treinar. Aqui no Brasil, não dá tempo."
O Palmeiras padece de um mal parecido. Teve sete jogadores na Copa do Mundo, dos quais Gustavo Gómez e Flaco López voltaram em bom nível, não igual ao pré-Mundial. Murilo perdeu a força física com os dois meses de paralisação e precisa muito de sua musculatura em forma. Está jogando mal. Vítor Roque e Piquerez tiveram lesão de ligamento do tornozelo. Nem sempre o retorno é fácil. Não está sendo em nenhum dos dois casos. Jhon Arias voltou mal da Copa. E Carlos Miguel...
Bem, aqui não se cometerá o erro de atribuir todos os erros ao goleiro, assim como parte das pessoas atribuem apenas a Abel Ferreira. Mas Carlos Miguel falhou, de alguma forma, em seis dos onze gols sofridos pelo Palmeiras depois da Copa. O de fora da área do Coritiba, da intermediária do Fortaleza, em Cuiabá, no mesmo jogo a bola rebatida na canela de Murilo, que virou gol contra, os dois gols contra o Atlético e o que passou por baixo de seu corpo, contra o Cerro Porteño.
Os três zagueiros podem ser um problema. Até podem, mas foram solução na recuperação de 2023, quando o Brasileirão parecia perdido. Primeiro com Luan, Gustavo Gómez e Murilo, depois com Marcos Rocha atuando como beque, porque Luan se machucou. Não parece ser o maior defeito.
Muito perigoso sugerir que a torcida não deve tolerar as atuações ruins.
Primeiro, porque não são todas. Há onze jogos, Flamengo 0 x 3 Palmeiras. O quinto de trás para a frente é o 3 x 0 no Fortaelza. O sétimo, Coritiba 1 x 3 Palmerias. Jogou bem. Mesmo na derrota contra o Galo, com 66% de posse de bola e 16 finalizações, não jogou mal. Podia ser melhor, mas não foi ruim.
Segundo, porque muitos torcedores uniformizados têm histórico de intolerância. Melhor, não correr o risco de estimular.
O Palmeiras precisa se classificar contra o Cerro Porteño. Depois, precisa treinar e jogar melhor. A torcida já sabe disso. Abel Ferreira e os jogadores também sabem.
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