Deterioração do apoio eleitoral a Milei está associada à precariedade econômica, aponta pesquisa
Uma pesquisa exclusiva realizada pela consultoria Projection revelou, no domingo (16/08), uma deterioração progressiva nas perspectivas eleitorais da administração liderada pelo presidente Javier Milei na Argentina.
O estudo aponta que o impacto das medidas econômicas sobre a população enfraqueceu a base do partido governista, colocando o peronismo na vanguarda das preferências para as próximas eleições gerais.
Segundo o relatório, seis em cada dez argentinos classificam a gestão econômica atual como negativa ou muito negativa para suas famílias. Da mesma forma, 62% dos entrevistados afirmaram não projetar expectativas de melhora no curto prazo.
A pesquisa detalha que quase 60% dos cidadãos tiveram que recorrer a empréstimos por meio de cartões de crédito ou solicitações financeiras para cobrir suas despesas.
Essa percepção de deterioração é mais aguda entre mulheres, adultos com mais de 55 anos e residentes da Capital Federal e da Grande Buenos Aires.
O relatório destaca uma contração contínua do chamado “núcleo duro” do partido governista, que atualmente está entre 25% e 30%, quando meses atrás atingia 35%.
Presidente da Argentina, Javier Milei, e ministro da Economia, Luis Caputo X/@JMilei
Um estudo recente do Public Opinion Monitor (MOP) da Zentrix Consultora revelou que 87,4% dos argentinos dizem que seu salário continua perdendo terreno diante da inflação, e 61,9% entraram em dívida nos últimos seis meses, mais da metade deles para cobrir despesas básicas como alimentação e serviços.
Na pesquisa da Zentrix, 86,6% dos entrevistados dizem que são necessários dois ou mais empregos para chegar ao fim das contas. Dois em cada três argentinos consomem sua renda antes do dia 20 de cada mês, e apenas 9,3% afirmam que a renda chega ao fim do mês.
Os números são piores para os mais jovens. Entre os consultados entre 18 e 39 anos, 85,5% relatam ter ficado sem renda antes do dia 20, em comparação com 60,6% na faixa etária de 40 a 59 anos.
67,1% dos argentinos consideram que os dados de inflação publicados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) não refletem a evolução dos preços reais no dia a dia, e apenas 29,6% consideram os números oficiais confiáveis.
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